

Queima das Palhinhas reúne fiéis, mestres e brincantes no encerramento do Ciclo de Reis em Juazeiro do Norte | Foto: divulgação
07 de janeiro de 2026 – Entre fé, oração e memória, Juazeiro do Norte celebrou o Dia de Reis com a tradicional Queima das Palhinhas, na noite desta terça-feira (6), na Rua Santa Clara, em frente à residência da Mestra Vanda. O ritual marcou o encerramento oficial do Ciclo de Reis no município e simbolizou o fim das festividades natalinas, reunindo mestres, brincantes e a comunidade em um momento de forte significado cultural e religioso.
“Esse momento é ímpar da nossa cultura. Estamos relembrando e fazendo memória à Mestra Vanda, que nos deixou fisicamente, mas deixou um legado que vamos continuar com muita fé e muita garra. A Lapinha Santa Clara está presente hoje e sempre”, destacou o Mestre Ligeirinho, responsável pela Lapinha Santa Clara.
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Este foi o primeiro Ciclo de Reis realizado sem a presença física da Mestra Vanda, falecida em março de 2025. Durante o encerramento, mestres e brincantes receberam uma comenda com o nome da mestra, em reconhecimento à sua contribuição histórica para a preservação das tradições populares em Juazeiro do Norte e no Cariri.
Além da apresentação da Lapinha Santa Clara, o público acompanhou as apresentações das lapinhas Nossa Senhora Auxiliadora e Bom Jesus do Horto. Em um intervalo entre as atrações, o Reisado São Miguel, que seguia para outras apresentações na cidade, passou pelo local e animou o público. A figura folclórica do Jaraguá, personagem simbólico do reisado nordestino, também marcou presença, arrancando aplausos e ampliando o clima festivo.

Para o secretário municipal de Cultura, Renato Wilamis, a Queima das Palhinhas reafirma a força da fé, da memória e da cultura popular do município. “Este foi um momento de muita emoção, especialmente por ser o primeiro ciclo sem a presença física da Mestra Vanda, uma guardiã dessa tradição que deixou um legado imensurável para o Cariri. A homenagem reforça o compromisso do município com a preservação dessas manifestações que atravessam gerações”, afirmou.
Durante o evento, a Lapinha Santa Clara celebrou 114 anos de existência, sendo reconhecida como a lapinha mais antiga do Cariri. Criada sob a orientação do Padre Cícero, a lapinha teve três mestras ao longo de sua história: a fundadora Teodora, sua filha Tatai e a neta Vanda Pereira da Silva. Atualmente, a coordenação está sob responsabilidade do Mestre Ligeirinho, que conduz cerca de 30 brincantes.
Na Queima das Palhinhas, as palhas retiradas do desmonte do presépio foram queimadas ao som de ladainhas. Durante o ritual, participantes fizeram pedidos, agradecimentos e pagaram promessas para o novo ano. O aroma característico que se espalha pelo ambiente simboliza renovação, fé e a despedida do ciclo natalino, mantendo viva uma das tradições mais emblemáticas da religiosidade popular nordestina.
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