

Além de oferecer equipamentos e incentivos para os profissionais trabalharem em casa, a empresa montou um coworking para atender o profissional que precisa de escritório em algum momento | Foto: divulgação
Um ano e sete meses depois de conhecermos o real significado da palavra inglesa lockdown, a realidade vivida no auge da pandemia do novo coronavírus continua para milhões de trabalhadores espalhados em todo o mundo. A vacinação contra a covid-19 tem permitido a flexibilização das atividades econômicas e sociais, mas ainda tem muita gente e empresas mantendo o modelo de trabalho em casa, que foi amplamente adotado durante a pandemia. E fica a pergunta: o home office veio mesmo pra ficar?
Em Fortaleza (CE), cerca de 100 funcionários da matriz da Cimento Apodi trabalham em casa desde março de 2020. A experiência está funcionando tão bem que a empresa resolveu implantar o modelo hibrido de trabalho, ou seja, o colaborador tem a opção de escolher trabalhar em casa ou ir ao escritório até duas vezes por semana. As fábricas da Apodi no Pecém e em Quixeré continuaram funcionando normalmente no período – foram para o trabalho em casa apenas os colaboradores do grupo de risco.
“Sem deslocamento, o tempo pode ser melhor aproveitado para outras atividades além do trabalho, como acompanhar os filhos. Para a implantação do home office definitivo na matriz da Apodi, consultamos os funcionários, a fim de avaliar como estava se dando a adaptação e como melhorar sua qualidade de vida no ambiente de casa. Outras ações foram implementadas, como uma campanha interna com orientações sobre o período pandêmico, como manter a saúde mental e vídeos para prática da ginástica laboral em casa”, esclarece Gisele Sestren, gerente de Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Cimento Apodi.
Outro desafio foi o de transformar um dos ambientes de casa dos colaboradores em escritório, com mobiliário adequado. Para isso, os funcionários ganharam um kit ergonômico, com notebook, suporte e teclado, auditados pela empresa. O colaborador também pôde levar sua cadeira de trabalho e a mobília para casa. A Apodi também disponibilizou uma ajuda de custo no caso da necessidade de adaptar o mobiliário à casa.
“A inovação é um dos valores que nos orientam e o “novo normal” é algo sem volta. Nessa nova modalidade de trabalho, há uma preocupação da empresa em amparar o colaborador do ponto de vista legal. Outras iniciativas previstas a longo prazo são a adequação dos sistemas de tecnologia da informação e da nuvem, a fim de automatizar cada vez mais os processos”, lembra a gerente.
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A empresa também teve a preocupação em oferecer um espaço de apoio físico no caso do funcionário necessitar trabalhar fora de casa por algum motivo. Para isso, montou uma nova sede e transformou o espaço em uma espécie de coworking, no WSTC, que fica na Av.Washington Soares, 3663. São mais de 100 estações de trabalho disponíveis e o colaborador pode alinhar com o gestor a ida ao escritório, porém não podendo ultrapassar os 50% a quantidade total de pessoas dentro do espaço.
“A orientação é realizar reuniões à distância, com as condições ideais de produção. Mas no caso de uma necessidade, ou mesmo de uma reunião presencial, o funcionário poderá avaliar com o gestor a ida ao escritório. E no momento em que tivermos uma vacina disponível contra a Covid-19 para aplicação em massa, a Apodi poderá fazer a retomada do trabalho presencial”, explica a gerente Gisele Sestren.
Trabalho remoto não é de hoje: mais de 3,8 milhões de brasileiros estavam em home office há dois anos, segundo dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pandemia do coronavírus colocou, então, profissionais que jamais haviam pensado em atuar à distância para trabalhar da sala de casa. Como reflexo, o mercado de trabalho também se alterou: 8,7 milhões de brasileiros já trabalhavam remotamente em maio/2020, mais do que o dobro em relação ao período pré-pandemia.
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