

Plenário da Câmara durante sessão conjunta para votação da LDO 2026 | Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
08 de dezembro de 2025 – O governo federal e o Congresso Nacional costuraram, nesta semana, uma trégua temporária para avançar na aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Entre as principais novidades está o novo calendário para pagamento de emendas, no valor de R$ 13 bilhões, que deverão ser liberadas até três meses antes das eleições do ano que vem.
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Apesar das tensões recentes entre Executivo e Legislativo, especialistas afirmam que a aprovação rápida da LDO representa uma convergência pontual de interesses. Diferentemente dos anos anteriores, quando as diretrizes orçamentárias eram votadas às vésperas do recesso parlamentar, o parecer favorável foi concluído ainda na primeira semana de dezembro.
Para o cientista político Leandro Gabiati, a antecipação se dá pela utilidade do texto para ambos os lados. O governo ganha margem para iniciar o ano eleitoral já com o orçamento aprovado, enquanto parlamentares garantem a liberação de recursos para fortalecer suas bases.
O relator da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), estruturou o calendário de emendas de forma a abastecer os redutos eleitorais dos congressistas meses antes da votação. Gabiati avalia que a Lei Orçamentária Anual (LOA) também deve ser aprovada antes do recesso.
Apesar do avanço do orçamento, analistas descartam uma reaproximação verdadeira entre os Poderes. A avaliação é de que o ambiente seguirá marcado por distanciamento e disputas por espaço político.
Christian Lynch, cientista político da Uerj, classifica o movimento como uma “trégua”, e não como um gesto de reconciliação. Ele prevê um 2026 de “conflito controlado”, sem rupturas institucionais, mas também sem cooperação consistente.
O cenário foi agravado por episódios recentes, como o rompimento entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do PT, Lindbergh Farias, por divergências sobre o PL Antifacção, além da insatisfação no Senado com a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal — contrariando preferências políticas internas e atritos envolvendo o presidente Davi Alcolumbre.
Para o professor Ricardo Caldas, da UnB, a aprovação acelerada da LDO reduziu a capacidade de barganha da oposição e enfraqueceu a posição dos líderes das Casas Legislativas.
Caldas aponta que Alcolumbre deixou de capitalizar politicamente a disputa sobre a indicação ao STF e que Hugo Motta, em um momento politicamente frágil, não utilizou a LDO como instrumento de pressão. A oposição também abriu mão de usar a votação para forçar a inclusão da proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos presos do 8 de Janeiro.
Com o Congresso esvaziando sua agenda nos próximos dias, o cenário indica que pautas de grande impacto dificilmente serão votadas antes do fim do ano legislativo.
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