

Lula reforça soberania e disposição para diálogo | Foto: Ricardo Stuckert / PR
29 de agosto de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que “não tem pressa” em aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, embora o processo já esteja em andamento. O objetivo, segundo ele, é acelerar as negociações com o governo norte-americano sobre o tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, Lula ressaltou que autorizou a aplicação da nova legislação, aprovada pelo Congresso e sancionada em abril, mas frisou que a prioridade do Brasil é negociar com os EUA.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A medida brasileira busca responder a ações unilaterais de outros países, como as sobretaxas impostas pela Casa Branca. Desde o dia 6 de agosto, 35,6% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas a uma tarifa de 50%, após decisão do presidente Donald Trump, que justificou a medida como retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam as big techs americanas.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque tenho que andar o processo. Mas eu quero negociar”, disse Lula, reforçando que o Brasil já notificou a Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o caso.
O presidente afirmou que o Brasil mantém sua soberania e está aberto a negociar “24 horas por dia” com os EUA. No entanto, destacou que até agora não houve abertura de diálogo efetivo com autoridades norte-americanas, apesar dos esforços do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do chanceler Mauro Vieira.
“Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, declarou Lula, afirmando que não pretende ligar diretamente para o presidente dos EUA enquanto não houver sinalização oficial de interesse em diálogo.
Além das relações comerciais, Lula comentou sobre a operação policial que investiga a atuação de facções criminosas na cadeia produtiva de combustíveis. Ele classificou a ação como “a mais importante da história” e destacou que, desta vez, o objetivo é atingir os líderes do crime organizado, que segundo ele, estão infiltrados em diversas áreas, incluindo política, futebol e economia.
“O crime organizado hoje é uma verdadeira multinacional, com ramificações internacionais. Quem estiver envolvido vai aparecer”, afirmou.
Leia também | Lula anuncia apoio do Brasil à neutralidade do Canal do Panamá e critica ameaças externas
Tags: Lula, Lei da Reciprocidade, EUA, tarifas Brasil EUA, Donald Trump, exportações brasileiras, OMC, comércio internacional, crime organizado, facções criminosas