

16 de dezembro de 2025 – A economia de impacto no Brasil vive um momento decisivo de consolidação e avanço estrutural. Depois de mais de dez anos marcados pelo surgimento de negócios socioambientais, programas de aceleração e maior participação do poder público, o país entra em uma nova fase em que inovação, sustentabilidade e eficiência empresarial caminham de forma integrada. Organizações pioneiras do ecossistema apontam que o setor já ocupa posição estratégica na agenda econômica e climática nacional.
Desde os anos 2000, quando coworkings ainda eram raridade na América Latina e o conceito de economia de impacto praticamente não existia, empreendedores brasileiros já desenvolviam iniciativas voltadas à inovação social, com foco em educação, moradia, empreendedorismo feminino e sustentabilidade. A partir de 2014, com o fortalecimento de fundações empresariais e o surgimento de programas de aceleração estruturados, o ecossistema ganhou escala e consistência.
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Negócios que hoje são referência nacional surgiram nesse período, como a Rede Mulher Empreendedora (RME), o fundo Vox Capital, a Carbono Zero Courier e iniciativas que inspiraram políticas públicas, a exemplo do Vivenda, voltado à reforma habitacional. Segundo especialistas, esse ciclo marcou a transição do voluntarismo social para modelos de negócio mais estruturados e financeiramente sustentáveis.
“Fomos o primeiro coworking da América Latina, mas o que nos movia desde o início era mais do que espaço físico: era impacto. A partir de 2014, vimos o ecossistema amadurecer com inovação social, fundações e políticas públicas. O Impact Hub teve papel direto nessa virada, conectando empresas, governos e empreendedores para transformar boas ideias em soluções reais”, destaca Pablo Handl, sócio-diretor do Impact Hub São Paulo.

A virada mais consistente ocorre a partir de 2017, com a criação da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (Enimpacto), que aproximou governo, empresas e startups. A partir desse marco, programas de inovação aberta passaram a ser contratados via editais técnicos, ampliando a escala e a credibilidade das soluções desenvolvidas.
Iniciativas como o IdeiaGov, considerado o maior programa de inovação aberta da América Latina, demonstraram que negócios de impacto podem atuar em áreas críticas como saúde, educação e gestão pública. Durante a pandemia, tecnologias validadas por hubs de inovação foram adotadas por grandes hospitais, ampliando atendimentos e oferecendo respostas rápidas em cenários emergenciais.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais gargalos é transformar problemas socioambientais relevantes em soluções de negócio viáveis e escaláveis. Para especialistas, a sustentabilidade financeira segue como ponto central para a consolidação dos empreendimentos.
“Existe uma diferença entre um problema social importante e uma solução pela qual alguém está disposto a pagar. A sustentabilidade financeira continua sendo um fator crítico para que negócios de impacto se mantenham e cresçam”, avalia Henrique Bussacos, sócio-diretor do Impact Hub São Paulo.
Para os próximos anos, a expectativa é que o mercado avance para uma fase mais robusta, com foco em modelos B2B e atuação em cadeias produtivas estratégicas, logística, energia, saúde e transição climática. A tendência é de maior exigência por validação técnica, segurança jurídica, compliance e previsibilidade, especialmente para atender demandas de grandes empresas e governos.
A ampliação dos investimentos climáticos e o uso de tecnologias voltadas à regeneração ambiental também devem ganhar protagonismo, diante dos limites observados nas negociações multilaterais da COP. Nesse cenário, a economia de impacto surge como alternativa concreta para viabilizar restauração de biomas, redução de emissões e modelos econômicos sustentáveis em escala.
Com 18 anos de atuação, o Impact Hub e outras organizações pioneiras se preparam para contribuir ativamente com esse novo ciclo. “O Brasil tem desafios complexos, mas também um dos ecossistemas mais criativos e resilientes do mundo. O impacto deixou de ser nicho e passou a integrar a estratégia de futuro do país”, conclui Henrique Bussacos.
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