

Portos de Los Angeles (foto) e Long Beach enfrentam recuo histórico no volume de cargas asiáticas | Foto: Robyn Beck/AFP
A movimentação no porto de Los Angeles, um dos mais movimentados dos Estados Unidos, desacelerou drasticamente. Os guindastes que antes operavam em ritmo frenético agora se encontram em compasso de espera, reflexo direto da guerra comercial entre EUA e China iniciada pelo presidente Donald Trump.
“É possível ouvir um alfinete cair”, disse Gene Seroka, diretor do porto de Los Angeles, à AFP. A cena ilustra a queda acentuada das importações: estima-se que o volume de cargas em maio seja até 35% menor que no mesmo período de 2024. Em Long Beach, a expectativa é de queda de 30%.
A desaceleração já se reflete nos dados macroeconômicos: o PIB dos Estados Unidos caiu 0,3% no primeiro trimestre, em taxa anualizada, contrariando previsões de crescimento.
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As tarifas impostas por Trump sobre produtos chineses — que chegam a até 145% — intimidaram importadores e derrubaram pedidos de móveis, roupas e brinquedos. Muitas remessas foram suspensas, e dezenas de navios cancelaram viagens aos EUA.
A medida também provocou um efeito cascata: com empresas correndo para estocar produtos antes das tarifas entrarem em vigor, o consumo foi antecipado e agora enfrenta um hiato. Resultado? Estoques altos, menos compras e impactos na produção.
Segundo Seroka, “o custo de um produto fabricado na China está agora duas vezes e meia mais caro que no mês anterior”. O diretor de Long Beach, Mario Cordero, alerta: “A crise não afeta apenas a Costa Oeste. É nacional”.
Após crescer 2,4% no último trimestre de 2024, o PIB americano recuou, puxado pelo excesso de importações antecipadas e pela baixa confiança do consumidor, hoje no menor nível em cinco anos. Empresas e consumidores enfrentam preços mais altos e incertezas econômicas.
Mesmo assim, Trump afirma que a contração “não tem nada a ver” com as tarifas e culpa a gestão anterior: “Este ainda é o mercado de Biden. O boom vai começar quando as tarifas entrarem em vigor. Sejam pacientes!”.
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