

Waller defende corte de juros com base na desaceleração da inflação | Foto: Tom Williams/getty
21 de junho de 2025 — O diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, afirmou que a economia norte-americana pode justificar um corte nas taxas de juros já em julho, caso os indicadores atuais se mantenham. Em entrevista à CNBC, Waller ressaltou que os recentes dados de inflação apontam para um cenário mais favorável e que a reação do banco central não deve ser travada por efeitos temporários das tarifas comerciais.
“Acho que já estamos nessa posição. Podemos fazer isso, e tão cedo quanto em julho”, afirmou.
Waller classificou essa possível decisão como um “corte de juros por boas notícias”, ou seja, pela retomada da inflação à meta do Fed.
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Apesar de o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) ter mantido os juros estáveis entre 4,25% e 4,5% na última reunião, Waller alertou para sinais de fragilidade no mercado de trabalho, como a alta do desemprego entre graduados universitários — o maior patamar em 25 anos — e queda no ritmo de criação de empregos.
“Se você está começando a se preocupar com os riscos de enfraquecimento do mercado de trabalho, é melhor agir agora, não esperar”, completou Waller, cotado para substituir Jerome Powell no comando do Fed em 2026.
Diversos relatórios e pesquisas reforçam os alertas sobre o mercado de trabalho. O número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego alcançou o maior nível desde agosto de 2023, e a taxa de demissões aumentou 47% em maio, com destaque para setores como varejo e tecnologia.
O índice de emprego do Fed da Filadélfia caiu ao nível mais baixo desde maio de 2020, enquanto 34% dos pequenos empresários relataram dificuldades para contratar, segundo a NFIB.
Apesar do otimismo de Waller, economistas estão divididos. A Pantheon Macroeconomics considera a projeção do Fed para o desemprego “excessivamente otimista” e prevê que a taxa suba para 4,8% até o fim do ano. Já a EY-Parthenon alerta que os efeitos das tarifas ainda não foram sentidos completamente e que o crescimento do PIB pode cair para 0,8% no quarto trimestre.
Por outro lado, John Leer, da Morning Consult, vê resiliência no mercado de trabalho e destaca que as empresas ainda hesitam em demitir funcionários devido ao potencial de lucro.
Os efeitos mais severos das tarifas de importação podem surgir a longo prazo. Empresas menores, segundo Leer, levarão até dois anos para sentir o peso total dos custos, à medida que estoques forem consumidos e a dependência de importações aumente.
O cenário permanece incerto, e as próximas semanas serão decisivas para o futuro da política monetária dos Estados Unidos.
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