

Paraguai deve consumir toda sua cota de energia de Itaipu até 2035 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
21 de julho de 2025 — O aumento expressivo da demanda por energia elétrica no Paraguai, impulsionado por atividades como mineração de criptomoedas e implantação de data centers com uso de inteligência artificial (IA), levou a direção da Usina Hidrelétrica de Itaipu a estudar a construção de duas novas turbinas. A medida pode ampliar em até 10% a estrutura de geração da usina binacional.

Atualmente, Itaipu conta com 20 unidades geradoras, responsáveis por cerca de 9% de toda a energia elétrica consumida no Brasil. Segundo o diretor-geral brasileiro da hidrelétrica, Enio Verri, o espaço físico para duas novas turbinas já existe na estrutura da barragem, localizada no Rio Paraná. No entanto, o projeto depende de estudos técnicos, ambientais, sociais e econômicos, além de um acordo entre Brasil e Paraguai.
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Desde 1985, o Paraguai tem comercializado com o Brasil parte da energia a que tem direito, conforme previsto no tratado de constituição da usina. Mas esse cenário está mudando. Em 2024, o Paraguai já consumia 31% da energia total gerada, ante os 5% de quatro décadas atrás. Projeções da Administradora Nacional de Eletricidade (Ande) indicam que o país alcançará 50% de consumo até 2035.
De acordo com o diretor-técnico paraguaio de Itaipu, Hugo Zárate, o crescimento anual no consumo de energia ultrapassou 14% em 2024, puxado principalmente pelos empreendimentos de mineração de criptoativos e contratos com empresas de tecnologia.
A partir de 2027, uma nova regulamentação permitirá que o Paraguai dê destino livre à sua energia excedente, inclusive podendo vendê-la para o mercado livre brasileiro ou a terceiros, deixando de repassá-la ao Brasil a preço de custo, como ocorre atualmente.
Apesar das mudanças, Enio Verri afirmou que o Brasil tem investido em fontes alternativas, como solar e eólica, principalmente no Nordeste, o que deve amenizar os impactos da redução do repasse paraguaio.
Mesmo sendo considerada uma expansão “inevitável” diante da demanda crescente, a construção das duas novas turbinas ainda não tem viabilidade financeira imediata. Segundo Verri, o projeto poderia ser financiado por instituições como o BNDES ou Banco Mundial, com pagamento via tarifa de energia. Contudo, ele ressaltou a necessidade de um debate amplo, que considere impactos sociais e ambientais, especialmente em comparação com a construção da usina durante a ditadura militar, quando o contexto político limitava a oposição popular.
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Tags: Itaipu, usina hidrelétrica, energia elétrica, Enio Verri, turbinas, Paraguai, Brasil, consumo de energia, mineração de criptomoedas, inteligência artificial, data centers, energia renovável, BNDES, expansão energética