

Extração de petróleo em campo energético: países liberam reservas estratégicas para reduzir impactos da crise provocada pela guerra no Irã | Foto: Reuters/Eli Hartman
12 de março de 2026 – Uma coalizão de 32 países que integram a Agência Internacional de Energia decidiu liberar 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas para reduzir os impactos da crise energética provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Segundo o diretor executivo da agência, Fatih Birol, a medida busca estabilizar o mercado internacional de combustíveis diante da interrupção no fluxo global causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
De acordo com Birol, trata-se da maior liberação de reservas emergenciais já realizada pela entidade. Os 400 milhões de barris serão disponibilizados no mercado para compensar a queda na oferta causada pelo bloqueio da rota marítima.
Mesmo com a decisão, o petróleo do tipo Brent registrava alta de cerca de 4% nesta quarta-feira (11), acumulando aumento de aproximadamente 30% em comparação ao período anterior ao conflito.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O fechamento do Estreito de Ormuz ocorreu após uma escalada militar envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A região é considerada um dos principais corredores energéticos do planeta. Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passem diariamente pela rota marítima, o que representa aproximadamente 25% de todo o comércio global de hidrocarbonetos.
Especialistas apontam que a liberação das reservas pode aliviar temporariamente as tensões no mercado, mas não resolve o problema estrutural caso o conflito se prolongue.
Para a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Álvares, a medida tende a ter efeito apenas no curto prazo.
Segundo a especialista, a liberação das reservas pode ajudar a amortecer o impacto imediato da crise energética, mas um prolongamento das tensões geopolíticas poderá provocar consequências mais profundas no mercado global de petróleo e gás.
O volume liberado equivale a cerca de 20 dias do fluxo médio de petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz. Esse montante corresponde a aproximadamente um terço dos cerca de 1,2 bilhão de barris mantidos nas reservas estratégicas dos países associados à AIE.
Além do petróleo, a crise também afeta o fornecimento global de gás natural liquefeito (GNL). A interrupção de embarques provenientes do Catar e dos Emirados Árabes Unidos preocupa autoridades energéticas internacionais.
Segundo a AIE, o fornecimento global de energia sofreu redução de cerca de 20%, enquanto países da Ásia e da Europa disputam cargas disponíveis de GNL no mercado internacional.
Diante do agravamento da crise energética global, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião emergencial do G7 para discutir os desdobramentos do conflito.
O grupo reúne algumas das principais economias industrializadas do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.
Nos Estados Unidos, os preços dos combustíveis já registram aumento significativo. O valor médio do galão subiu cerca de 60 centavos, chegando a aproximadamente US$ 3,50 — o maior nível desde maio de 2024.
Leia também | Toffoli se declara suspeito no STF