

IOF elevado pode gerar desconfiança internacional, segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo | Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
02 de junho de 2025 — O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não deve ser utilizado como instrumento de arrecadação ou substituto para políticas monetárias, como o aumento da taxa de juros. Segundo ele, o imposto tem caráter regulatório, como definido pela Constituição, e usá-lo para outras finalidades pode trazer riscos à economia brasileira.
Durante evento promovido pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), em São Paulo, Galípolo demonstrou preocupação com a percepção negativa dos investidores internacionais, que podem interpretar o aumento recente do IOF como uma forma de controle de capital, afastando investimentos.
“Eu sempre tive essa visão de que não deveria utilizar o IOF nem para questões arrecadatórias, nem para fazer algum tipo de apoio para a política monetária”, afirmou o presidente do BC.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O presidente também criticou a distorção provocada pelo imposto sobre as decisões de financiamento das empresas. Para ele, o ideal seria que o tributo não influenciasse a escolha de linhas de crédito, evitando arbitragem tributária entre diferentes produtos financeiros.
A elevação do IOF, segundo analistas, pode ter um efeito equivalente a um aumento de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, por encarecer o crédito às empresas. A medida foi anunciada com a promessa de reforçar a arrecadação em R$ 19,1 bilhões até o fim de 2025, apesar de partes da proposta terem sido revistas logo após o anúncio.
Gabriel Galípolo destacou que o BC será cauteloso ao incorporar os efeitos do novo IOF em suas projeções econômicas, já que o governo e o Congresso ainda discutem alternativas e ajustes à proposta original.
“A gente tende a consumir com mais parcimônia, aguardar o desenho final para entender de que maneira e quanto deve ser incorporado nas nossas projeções”, concluiu.
Leia também | Justiça bloqueia R$ 23,8 milhões de investigados por fraude contra aposentados