

Transporte de navios cargueiros de petróleo está suspenso em meio à tensão internacional após escalada do conflito no Oriente Médio | Foto: Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images/via Bloomberg
09 de março de 2026 – A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos provocou forte reação nos mercados globais nesta segunda-feira. Os preços internacionais do petróleo registraram alta significativa, enquanto bolsas de valores ao redor do mundo operaram em queda diante do temor de que o conflito comprometa a oferta global de energia.
O aumento das tensões no Oriente Médio gerou preocupação entre governos e investidores, principalmente pelo risco de interrupção no fluxo de petróleo que passa pelo estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta.
Diante desse cenário, países da Ásia e da Europa começaram a adotar planos de emergência para reduzir o impacto econômico causado pela disparada do combustível e garantir o abastecimento interno.
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Na Coreia do Sul, o presidente Lee Jae Myung anunciou que o governo pretende estabelecer um teto para os preços domésticos dos combustíveis pela primeira vez em quase três décadas. A estratégia busca evitar que o aumento do petróleo no mercado internacional seja repassado integralmente aos consumidores.
Além disso, o país estuda ampliar um programa de estabilização econômica estimado em cerca de 100 trilhões de won, equivalente a aproximadamente 67 bilhões de dólares.
No Japão, autoridades orientaram que instalações nacionais de armazenamento de petróleo se preparem para uma possível liberação das reservas estratégicas. A medida foi confirmada pelo parlamentar Akira Nagatsuma, integrante da oposição.
Segundo o governo japonês, a decisão final sobre a liberação do petróleo ainda depende da evolução do conflito e das condições do mercado global.
Outros países asiáticos também anunciaram medidas para garantir o fornecimento de energia.
O governo do Vietnã informou que pretende eliminar temporariamente tarifas de importação sobre combustíveis até o fim de abril, buscando ampliar a oferta interna diante de possíveis interrupções no comércio internacional.
Já a Indonésia decidiu ampliar os recursos destinados aos subsídios de combustíveis em seu orçamento nacional. Atualmente, o país reservou cerca de 381,3 trilhões de rúpias, o equivalente a aproximadamente 22,5 bilhões de dólares, para subsidiar preços e compensar empresas estatais do setor energético.
O governo indonésio também estuda retomar o programa de biocombustíveis conhecido como B50, que prevê a mistura de 50% de biodiesel à base de óleo de palma com 50% de diesel convencional.
A China também adotou medidas preventivas ao solicitar que refinarias suspendam a assinatura de novos contratos de exportação de combustíveis e tentem cancelar embarques previamente negociados.
Segundo fontes do setor energético, a orientação busca preservar estoques domésticos e garantir o abastecimento interno em caso de agravamento da crise.
No Bangladesh, as medidas foram ainda mais drásticas. O governo decidiu fechar temporariamente universidades e antecipar o recesso relacionado ao Eid al-Fitr como parte de um plano para reduzir o consumo de eletricidade e combustíveis.
O país, que depende de importações para cerca de 95% de suas necessidades energéticas, também passou a impor limites diários para a venda de combustíveis após registrar corrida aos postos e aumento na formação de estoques pela população.
Analistas apontam que a evolução da guerra no Oriente Médio poderá continuar pressionando os preços do petróleo e provocar impactos diretos na inflação, no transporte e na atividade industrial em diferentes regiões do mundo.
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