

Mercado do petróleo opera em forte volatilidade após ataques dos EUA ao Irã | Foto: REUTERS/Eli Hartman
23 de junho de 2025 — O mercado global de petróleo iniciou a semana em clima de instabilidade. Nesta segunda-feira (23), os contratos futuros da commodity registram queda, mesmo após os Estados Unidos realizarem ataques diretos às principais instalações nucleares do Irã no fim de semana, fato que elevou o risco de uma resposta iraniana com impacto no fornecimento da região.
Às 12h30 (horário de Brasília), o petróleo WTI (referência dos EUA) recuava 0,96%, sendo negociado a US$ 73,13. Já o Brent (referência internacional) caía 0,88%, cotado a US$ 76,33 o barril.
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Os preços do petróleo chegaram a disparar durante a madrugada, com o Brent alcançando US$ 81, mas recuaram após declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que pediu que “todos” mantivessem os preços do petróleo mais baixos. A fala foi interpretada como uma pressão à indústria petrolífera americana para aumentar a produção.
Segundo Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, o mercado está precificando um cenário de “desescalada gradual”, ainda que os próximos passos do Irã sigam sendo observados com atenção.
A principal ameaça permanece: o possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passaram cerca de 20 milhões de barris por dia em 2024, o equivalente a 20% do consumo global de petróleo, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.
Embora um parlamentar iraniano tenha indicado apoio ao bloqueio da hidrovia, a decisão final depende do Conselho de Segurança Nacional do Irã. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou a medida como um possível “suicídio econômico”, alertando que as próprias exportações iranianas dependem da rota.
No Brasil, analistas já veem impactos possíveis no cenário econômico. O economista Gesner Oliveira, da GO Associados, afirmou que, caso o barril atinja US$ 100 e a Petrobras repasse a alta aos preços internos, a inflação medida pelo IPCA pode chegar a 6%.
“Há risco de aumento da inflação, elevação dos juros, desvalorização cambial e desaceleração do crescimento. É uma equação delicada para economias emergentes como a brasileira”, alerta Gesner.
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Tags: petróleo, Irã, Estados Unidos, ataque nuclear, Brent, WTI, Estreito de Ormuz, Donald Trump, inflação no Brasil, barril do petróleo, geopolítica, mercado financeiro, economia global