

O índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação, cujo centro é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
23 de dezembro de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,25% em dezembro, resultado ligeiramente abaixo das expectativas do mercado financeiro. Com isso, a inflação brasileira deve encerrar 2025 em torno de 4,4%, permanecendo abaixo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro, o indicador havia avançado 0,20%. A expectativa de analistas ouvidos pela Reuters era de uma alta mensal de 0,27% e de 4,43% no acumulado de 12 meses.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Com o resultado de dezembro, o IPCA-15 acumulou alta de 4,41% em 12 meses, abaixo dos 4,50% registrados em novembro. O índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação, cujo centro é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O desempenho confirma uma desaceleração consistente ao longo do ano. Em abril, o IPCA-15 havia atingido o pico de 5,49%. Em 2024, o índice encerrou o ano com alta acumulada de 4,71%.
A desaceleração dos preços ocorre em meio a uma política monetária bastante restritiva. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano. O Banco Central tem reiterado que a manutenção desse patamar por um período prolongado é necessária para conduzir a inflação ao objetivo.
No sistema de meta contínua, a inflação é considerada fora da meta apenas se ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. Caso isso ocorra, o Banco Central é obrigado a apresentar explicações públicas. Os dados consolidados do IPCA de dezembro e do acumulado de 2025 serão divulgados em 9 de janeiro.
No Relatório de Política Monetária divulgado neste mês, o Banco Central estimou que a inflação só deverá atingir o centro da meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, permanecendo acima do alvo durante todo o ano de 2027.
“O IPCA-15 confirma um cenário de inflação sob controle, mas ainda longe de confortável, reforçando a necessidade de disciplina monetária e fiscal para 2026”, avaliou Pablo Spyer, economista e conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord).
Em dezembro, o grupo Transportes exerceu o maior impacto positivo no índice, com alta de 0,69%, influenciada principalmente pelo aumento de 12,71% nas passagens aéreas. Os combustíveis subiram 0,26%, com destaque para o etanol (1,70%) e a gasolina (0,11%), enquanto o óleo diesel e o gás veicular registraram queda.
Também apresentaram altas significativas os grupos Vestuário (0,69%) e Despesas Pessoais (0,46%). Já Alimentação e Bebidas, de maior peso no índice, subiu apenas 0,13%, com recuo de 0,13% na alimentação no domicílio.
No acumulado de 2025, o grupo Habitação apresentou a maior variação, com alta de 6,69%, puxada pelo aumento de 11,95% na energia elétrica residencial, o maior impacto individual do ano.
O segundo maior avanço foi observado em Alimentação e Bebidas, com alta de 3,57%. O café moído chamou atenção ao registrar aumento expressivo de 41,84% ao longo do ano.
De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa do mercado é de que a inflação encerre 2025 em 4,33% e desacelere para 4,06% em 2026. Para a taxa Selic, a projeção é de queda para 12,25% ao final do próximo ano.
“A expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais fraca, o que permitirá uma desinflação mais acentuada e abrirá espaço para o início dos cortes na Selic”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. Segundo ele, embora o mercado veja janeiro como um possível ponto de partida para os cortes, não está descartado que o Copom adie a decisão para março, diante da cautela adotada pelo Banco Central.
Leia também | Mapa recolhe 23 lotes de quatro marcas de café por impurezas acima do permitido
Tags: IPCA-15, inflação, IBGE, inflação de dezembro, inflação 2025, meta de inflação, Banco Central, Selic, política monetária, economia brasileira, preços ao consumidor, desaceleração da inflação, índice de preços, mercado financeiro, juros no Brasil, passagens aéreas, combustíveis, alimentação e bebidas, habitação, energia elétrica, pesquisa Focus, Portal Terra Da Luz