

Composição do Copom | Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central
10 de dezembro de 2025 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (10), manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. A Selic segue no maior nível dos últimos 20 anos, e o BC não deu qualquer indicação de início do ciclo de cortes. Segundo o colegiado, o cenário permanece marcado por incertezas elevadas e demanda cautela na condução da política monetária.
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No comunicado, o Copom afirmou que manter a Selic em 15% “por período bastante prolongado” é o caminho necessário para garantir a convergência da inflação à meta. O tom permanece duro, reforçando que não há espaço, por ora, para flexibilização.
O comitê destacou que as expectativas seguem desancoradas, as projeções de inflação continuam elevadas e há sinais de resiliência na atividade econômica e no mercado de trabalho. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, diz a nota.
O IPCA de novembro registrou alta de 0,18%, acumulando 3,92% no ano e 4,46% em 12 meses — números levemente abaixo das projeções, mas ainda distantes da meta de 3%.
A expectativa de que os juros poderiam começar a cair já em janeiro perdeu força entre economistas do mercado financeiro. A maioria dos analistas agora projeta início do ciclo de cortes apenas em março, com redução da Selic para 14,5% ao ano.
No comunicado, o Copom afirmou que “seguirá vigilante” e que poderá ajustar a política monetária se necessário, inclusive retomando aumento de juros caso considere apropriado. O BC também mencionou o impacto das recentes tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e reforçou que acompanha os desdobramentos da política fiscal brasileira.
O BC opera dentro do sistema de metas contínuas, que desde 2025 estipula inflação de 3%, considerada cumprida quando oscila entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação acumulada acima da meta por seis meses seguidos, o Banco Central precisou divulgar uma carta pública em junho.
A instituição toma decisões olhando para o futuro, já que mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para impactar a economia. Neste momento, o BC mira a inflação do segundo trimestre de 2027. As projeções do mercado para 2025, 2026, 2027 e 2028 são de 4,40%, 4,16%, 3,8% e 3,5%, todas acima da meta central.
O Banco Central afirma que a desaceleração econômica é componente necessária do processo de controle inflacionário. Menor ritmo de crescimento reduz pressões, especialmente no setor de serviços.
A ata anterior do Copom indicou que o “hiato do produto” segue positivo, ou seja, a economia ainda opera acima de seu potencial. Para o BC, os dados mais recentes confirmam a tendência de moderação gradual da atividade, movimento esperado em momentos de inflexão do ciclo econômico.
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