

Alta no preço do feijão e de outros alimentos pressiona o custo da cesta básica nas capitais brasileiras | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
09 de abril de 2026 – O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras do país provocou aumento significativo no preço do feijão e impactou diretamente o custo da cesta básica nas 27 capitais brasileiras. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta alta generalizada nos alimentos essenciais.
Entre os produtos com maior elevação estão feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. Em contrapartida, o açúcar registrou queda de preço em 19 capitais, influenciado pelo aumento da oferta no mercado.
São Paulo segue com a cesta básica mais cara do país, custando R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta o menor valor médio, de R$ 598,45.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O feijão foi o item com maior impacto nos preços, com alta registrada em todas as capitais. O grão carioca teve aumentos expressivos, chegando a 21,48% em algumas cidades, enquanto o feijão preto também apresentou elevação, especialmente na Região Sul.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Lüders, o fenômeno climático afetou diretamente a produção. “Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais. O que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40”, explicou.
Ele destacou ainda que o clima prejudicou lavouras em estados como Paraná e Bahia, além de reduzir a área plantada, o que agravou a restrição de oferta.
O levantamento também mostra que o trabalhador brasileiro precisa, em média, de cerca de 109 horas de trabalho para adquirir a cesta básica. Em março de 2026, o comprometimento da renda líquida chegou a 48,12%, acima dos 46,13% registrados em fevereiro.
O tempo médio necessário para comprar os itens básicos também aumentou, passando de 93 horas e 53 minutos para 97 horas e 55 minutos.
Apesar disso, na comparação anual, houve leve melhora proporcional em relação a 2025, quando o comprometimento da renda era ainda maior.
Especialistas apontam que o cenário ainda é de incerteza, especialmente devido às condições climáticas e à redução da área plantada. Há expectativa de que os preços do feijão sofram novas oscilações ao longo de 2026, com possibilidade de inversão entre os valores do feijão carioca e do preto.
A estimativa da Conab indica produção superior a 3 milhões de toneladas, com crescimento modesto em relação ao ciclo anterior. No entanto, fatores como custos de insumos e combustíveis ainda podem pressionar o setor.
O Dieese também aponta que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99, valor equivalente a 4,58 vezes o piso atual.
Leia também | Cid cita “constrangimento” em eleição no CE
Tags: cesta básica, preço do feijão, inflação alimentos, economia brasileira, custo de vida, Dieese, Conab, alimentos 2026, salário mínimo, inflação no Brasil, produção agrícola, agronegócio, preços dos alimentos, mercado consumidor, Portal Terra da Luz