

Em comparação com 2023, a carga tributária subiu dois pontos percentuais, consolidando um novo recorde histórico desde o início da série, em 2002 | Foto: Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo
13 de dezembro de 2025 — A carga tributária brasileira cresceu em 2024 e alcançou o maior patamar em mais de duas décadas, segundo dados oficiais da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O indicador, que mede o total de impostos pagos em relação à riqueza produzida no país, engloba tributos arrecadados pela União, estados e municípios.
De acordo com o governo, o aumento está diretamente relacionado à elevação de impostos federais e estaduais ao longo do ano. Em comparação com 2023, a carga tributária subiu dois pontos percentuais, consolidando um novo recorde histórico desde o início da série, em 2002.
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Em 2024, a Receita Federal alterou a metodologia de cálculo da carga tributária, passando a excluir as contribuições destinadas ao FGTS e ao Sistema S, embora esses tributos continuem sendo obrigatórios para as empresas. Segundo o órgão, a mudança busca alinhar o indicador às diretrizes metodológicas internacionais, adotadas por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), permitindo maior comparabilidade com outros países.
Mesmo com a alteração, o resultado permaneceu recorde. Pela metodologia antiga, a carga tributária de 2024 atingiu 34,1% do Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 32,1% registrados em 2023. Já pelo novo formato oficial, o índice chegou a 32,2% do PIB, ante 30,2% no ano anterior.
“A exclusão desses componentes resultou em uma redução consistente nos níveis ao longo da série, sem alterar o perfil de evolução da carga tributária, que continua refletindo os ciclos econômicos e mudanças na política fiscal”, explicou a Receita Federal.
A decomposição da carga tributária mostra que todos os entes da federação registraram aumento em 2024. A carga da União passou de 19,9% do PIB em 2023 para 21,3% em 2024, alta de 1,4 ponto percentual. Nos estados, o índice subiu de 8,01% para 8,46% do PIB, enquanto nos municípios avançou de 2,31% para 2,44%.
Segundo a Receita Federal, cerca de 70% do aumento total da carga tributária em 2024 foi responsabilidade do governo federal.
O Fisco reconheceu que o crescimento da carga tributária foi “significativo” e decorreu, principalmente, da elevação de impostos como PIS/Pasep e Cofins, no âmbito federal, e do ICMS, nos estados. Também contribuíram para o resultado o IPI e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).
De acordo com a Receita, o avanço do PIS/Cofins está ligado à reversão de desonerações concedidas em 2023, especialmente sobre combustíveis, além da recuperação da arrecadação sobre o consumo em geral. Já o aumento do IPI reflete a retomada parcial das alíquotas após os cortes realizados em 2022.
No caso do IRRF, o crescimento está associado ao aumento da massa salarial, ao dinamismo da economia em 2024 e à maior tributação de fundos de investimento.
Os dados oficiais mostram que a principal base de arrecadação no país continua sendo a tributação sobre bens e serviços. Em 2024, esses impostos somaram R$ 1,64 trilhão, o equivalente a 14% do PIB e a 43,5% de toda a carga tributária. Considerando o IOF, o percentual sobe para 14,6% do PIB.
Essa concentração sobre o consumo penaliza proporcionalmente mais a população de menor renda, já que os tributos embutidos nos preços afetam todos de forma igual. A reforma tributária aprovada e sancionada pelo governo manteve esse peso praticamente inalterado, o que fará com que a futura alíquota sobre o consumo seja uma das mais altas do mundo.
Por outro lado, a tributação sobre renda, lucro e ganho de capital somou R$ 1,07 trilhão em 2024, equivalente a 9,1% do PIB e a 28,3% da carga tributária total. O percentual é bem inferior à média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foi de 12,1% do PIB em 2023.
Na comparação internacional, com base em dados de 2023, o peso dos tributos no Brasil ficou abaixo da média da OCDE, de 34,1% do PIB, mas bem acima da média da América Latina e Caribe, que foi de 21,3%.
A Receita Federal ressalta que comparações entre países devem ser feitas com cautela, devido às diferenças estruturais e institucionais dos sistemas tributários, como a existência de previdência privada em alguns países e variações metodológicas na contabilização de receitas.
Questionado sobre o recorde da carga tributária em 2024, o Ministério da Fazenda afirmou que, ao se considerar a chamada carga tributária líquida — descontadas as transferências obrigatórias para estados e municípios —, o resultado não é o maior da história.
Segundo a pasta, a carga tributária líquida do governo central foi de 18,4% do PIB em 2024, o maior nível desde 2013, mas ainda abaixo da média registrada no início da década de 2010. O ministério destacou ainda o esforço de recomposição da base tributária, com medidas como a tributação de offshores e fundos fechados, o fim de subvenções e ações de combate a fraudes fiscais.
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Tags: carga tributária, impostos no Brasil, Receita Federal, Ministério da Fazenda, arrecadação federal, ICMS, PIS Cofins, imposto de renda, economia brasileira, política fiscal, PIB, tributos federais, tributos estaduais, reforma tributária, consumo, renda, OCDE