

Tarifa ameaça US$ 40 bilhões em exportações brasileiras aos EUA | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
12 de julho de 2025 — A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um alerta no comércio exterior brasileiro. Com entrada em vigor prevista para 1º de agosto, a medida poderá inviabilizar a venda de itens como petróleo, aço, café, carne e aeronaves, afetando diretamente setores estratégicos da economia nacional.
Os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2024, US$ 40,4 bilhões em produtos foram vendidos para o mercado norte-americano, o equivalente a 12% de tudo que o Brasil exportou no ano.
Segundo especialistas, caso não haja acordo entre os governos de Lula e Trump, será necessário redirecionar parte significativa da produção nacional para novos mercados — tarefa que, apesar de possível, envolve tempo, negociações e readequações logísticas.
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Para commodities com preço internacional e ampla demanda global, como café, açúcar e suco de laranja, o redirecionamento tende a ser mais viável, ainda que possa haver impacto nos preços devido à superoferta.
Por outro lado, bens de maior valor agregado, como autopeças específicas ou aeronaves executivas, enfrentam mais dificuldades. A Embraer, por exemplo, que destina quase 24% de sua receita aos EUA, viu suas ações caírem cerca de 11% na última semana.
Especialistas apontam que China, Índia, Vietnã, Indonésia, Emirados Árabes e México têm potencial para absorver parte do excedente brasileiro, embora nenhum consiga substituir sozinho o mercado americano.
Na visão do consultor Welber Barral, a Ásia deve ganhar protagonismo: “Essa questão com os EUA pode acelerar a dependência dos mercados asiáticos”.
Além da Ásia, a União Europeia aparece como uma janela estratégica de oportunidade, especialmente para exportações de bens manufaturados e tecnológicos. Com a recente tensão comercial entre UE e EUA, o Brasil pode se aproximar de países europeus que buscam diversificar suas relações comerciais.
Entre os produtos mais exportados aos EUA em 2025, destacam-se:
Com a imposição da tarifa, empresas e governo brasileiro precisarão acelerar acordos bilaterais com países do sudeste asiático, além de aprofundar parcerias com África e Oriente Médio por meio do Mercosul e do Brics.
Segundo o economista André Galhardo, o Brasil deve “usar o momento para firmar novas alianças comerciais e reposicionar-se no mercado global”.
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Tags: exportações brasileiras, tarifa de Trump, comércio exterior, mercado internacional, Embraer, commodities, União Europeia, China, Brics, economia global, relações comerciais, suco de laranja, café, petróleo, aço, carne bovina