

Norueguesa Haltbakk Bunkers vai parar de fornecer combustível para navios Marinha dos EUA | Foto: Nicolas Maeterlinck/BELGA/picture alliance
A política tarifária agressiva do presidente dos EUA, Donald Trump, provocou uma reação global. Apesar do anúncio de uma pausa de 90 dias nas tarifas em 9 de abril, o chamado “tarifaço do Dia da Libertação” já havia causado estragos na imagem de produtos americanos no exterior — especialmente na Europa e no Canadá, que reagiram com campanhas organizadas de boicote.
Grupos nas redes sociais, como o francês “Boycott USA: Achetez Français et Européen!” e os suecos “Bojkotta varor från USA”, reúnem centenas de milhares de membros. Além disso, consumidores estão invertendo produtos americanos nas prateleiras de supermercados como gesto simbólico contra as tarifas.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Empresas europeias também se mobilizam. O varejista dinamarquês Salling Group criou uma etiqueta para destacar produtos locais, e a norueguesa Haltbakk Bunkers suspendeu o fornecimento de combustível para navios da Marinha dos EUA. Enquanto isso, a Tesla, associada a Trump, viu sua cotação despencar 40% e suas vendas caírem drasticamente, especialmente na Europa.
No Canadá, o clima anti-Trump fortaleceu os liberais liderados por Mark Carney e impulsionou campanhas como o “Buy Canadian”. Governos locais deixaram de estocar produtos dos EUA, como o uísque bourbon. Apps como Maple Scan e Buy Beaver ajudam consumidores a evitar marcas americanas.
Especialistas apontam que esse boicote lembra o episódio das “freedom fries”, quando, em 2003, os americanos rejeitaram os “french fries” após o posicionamento da França contra a guerra do Iraque. Agora, o impacto pode ser ainda mais profundo, afetando reputações corporativas e preferências de consumo em um mercado global cada vez mais competitivo.
Leia também | Preço do petróleo despenca com tarifaço de Trump e Petrobras perde mais de US$ 88 bilhões em valor de mercado