

Carry trade é um dos fenômenos apontados por trás da valorização do real ante o dólar | Ilustração gerada por IA
16 de setembro de 2025 — O dólar comercial voltou a fechar no menor patamar em mais de um ano nesta segunda-feira (15), encerrando o pregão cotado a R$ 5,322. Ao longo do dia, a moeda chegou a tocar a marca de R$ 5,30. A divisa acumula no ano uma perda expressiva de 14% ante o real e, segundo Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, é a única moeda não europeia entre as nove de melhor desempenho em 2025.
O cenário atual contrasta fortemente com o início do ano, quando o dólar era negociado acima de R$ 6, impulsionado pela forte desvalorização do real nos últimos meses de 2024. A moeda norte-americana havia encerrado o último ano com valorização de 27,3%.
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O movimento de queda reflete uma combinação de fatores domésticos e, sobretudo, externos. Desde as últimas reuniões de política monetária no Brasil e nos EUA, em julho, o real se apreciou com “um ambiente externo mais favorável, marcado por dólar fraco globalmente, e pelas perspectivas de retomada do ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve”, aponta relatório de macroeconomia do Itaú BBA.
Cristiano Oliveira pondera que “a fraqueza do dólar no âmbito global explica aproximadamente metade dessa valorização. A outra metade está associada a fundamentos locais”.
A expectativa é que o Federal Reserve (Fed) anuncie um corte em sua taxa de juros já nesta quarta-feira (17). A ferramenta CME FedWatch indica que cerca de 96% dos investidores apostam em um corte de 0,25 ponto percentual. Com juros mais baixos nos EUA e as taxas brasileiras mantidas em 15% ao ano, a estratégia de carry trade — pegar dinheiro emprestado a juros baixos para investir em ativos de maior rendimento — se torna extremamente favorável para o real.
“Juros mais baixos nos EUA reduzem a atratividade dos ativos americanos e incentivam investidores a buscar melhores retornos em países emergentes como o Brasil. Esse movimento aumenta a entrada de dólares no país e, em consequência, tende a valorizar o real”, explica Otávio Oliveira, gerente de Tesouraria do Banco Daycoval.
Apesar do cenário positivo, analistas alertam para riscos. Questões internas, como tensões políticas e a dinâmica fiscal, podem limitar a valorização do real. Além disso, o ambiente internacional carrega incertezas, como a recente crise comercial entre EUA e Brasil, que pode gerar volatilidade.
Tony Volpon, ex-diretor do BC, avalia que é provável que o câmbio siga uma tendência de desvalorização, precificando que o valor justo do dólar seria próximo de R$ 5. No entanto, uma surpresa no comunicado do Fed ou um tom mais duro da autoridade monetária norte-americana pode reverter rapidamente o cenário de depreciação do dólar.
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