

Grupo criminoso beneficiava integrantes do Comando Vermelho | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
18 de dezembro de 2025. A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a Operação Firewall, voltada ao combate à manipulação criminosa de dados públicos em sistemas judiciais. A ação tem como alvo um grupo acusado de fraudar mandados de prisão para beneficiar integrantes do Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado. Até o momento, duas pessoas foram presas.
A operação é conduzida por policiais da 126ª Delegacia de Polícia (Cabo Frio), com apoio da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Polícia Civil de Minas Gerais. Mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos nos dois estados.
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As investigações tiveram início em julho deste ano, após policiais identificarem a oferta ilegal de retirada de mandados de prisão do sistema do Tribunal de Justiça, mediante pagamento de cerca de R$ 3 mil. O “serviço” era direcionado especialmente a integrantes da facção criminosa.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam redes privadas virtuais (VPNs) e credenciais indevidamente obtidas para acessar o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Como não era possível excluir diretamente os mandados, os dados eram alterados para dificultar a localização das ordens judiciais.
Dessa forma, quando agentes de segurança consultavam o sistema com o nome correto do investigado, o mandado não aparecia, criando a falsa impressão de que não existia nenhuma pendência judicial.
Ainda de acordo com a investigação, os suspeitos ameaçavam os contratantes: caso o valor não fosse pago, novos mandados seriam emitidos contra eles. O grupo também utilizava contas bancárias de terceiros para movimentar os recursos obtidos ilegalmente.
A polícia identificou que a namorada de um dos envolvidos cedia a própria conta bancária para receber os valores, o que levou à descoberta de transações financeiras com outros criminosos em Minas Gerais.
O líder do esquema, segundo os investigadores, já havia trabalhado em empresas de certificação digital. Ele teria conseguido apagar um mandado de prisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro e passou a oferecer esse tipo de fraude a terceiros. O suspeito foi preso anteriormente, em setembro, por crimes como violação de segredo profissional, associação criminosa e estelionato.
Durante o período em que atuava nessas empresas, o homem teria realizado a quebra de autenticação em duas etapas, a decodificação de certificados digitais, a manipulação de dados cadastrais de magistrados e a emissão fraudulenta de alvarás judiciais.
Até o momento, as apurações indicam que não houve participação direta de servidores públicos no esquema. Segundo a Polícia Civil, magistrados e outros profissionais teriam sido vítimas do roubo de dados de login e senha utilizados pelos criminosos.
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