

Foto: Freepik
02 de janeiro de 2026 — Um novo medicamento em forma de comprimido demonstrou capacidade de estimular a queima de gordura mesmo em repouso, sem provocar perda de massa muscular, de acordo com testes realizados em animais e um estudo inicial com humanos. A descoberta pode representar um avanço relevante no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Os resultados foram publicados na revista científica Cell e descrevem uma nova classe de compostos desenvolvidos para agir de forma seletiva nos músculos, aumentando o gasto energético e a captação de glicose sem causar efeitos adversos significativos no sistema cardiovascular.
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Ao contrário de medicamentos tradicionais que ativam amplamente o sistema adrenérgico — associado à resposta ao estresse —, a nova substância foi projetada para acionar apenas um caminho específico de sinalização celular ligado ao metabolismo muscular.
Na prática, o medicamento experimental:
O composto atua sobre o receptor beta-2 adrenérgico, presente em células musculares, cardíacas e em outros tecidos. Esse receptor pode ativar diferentes vias celulares, algumas associadas a benefícios metabólicos e outras a efeitos colaterais cardiovasculares.
Enquanto drogas mais antigas ativam rotas que elevam o metabolismo, mas também aceleram os batimentos cardíacos, o novo medicamento foi desenhado para estimular um caminho alternativo, mediado pela proteína GRK2. Essa via favorece a captação de glicose e o aumento do gasto de energia, inclusive em repouso, sem acionar mecanismos que afetam o coração.
Essa estratégia é conhecida como agonismo enviesado, na qual apenas os efeitos desejados são ativados no interior da célula.
Em testes com camundongos e ratos com obesidade e diabetes, o composto experimental apresentou resultados consistentes:
Além disso, em modelos nos quais medicamentos à base de GLP-1 costumam provocar perda muscular, a nova substância conseguiu preservar a massa magra, inclusive quando usada em associação com esses fármacos.
O medicamento já passou por um ensaio clínico de fase 1, focado na avaliação da segurança, com voluntários saudáveis e pessoas com diabetes tipo 2.
Segundo os pesquisadores, a pílula:
Com esses resultados, o composto avançou para estudos de fase 2, que vão avaliar sua eficácia no controle da glicose e na redução de gordura corporal.
Atualmente, os principais medicamentos contra obesidade e diabetes, como os agonistas de GLP-1, apresentam bons resultados, mas podem causar perda de massa muscular e exigem aplicações injetáveis. Já drogas que estimulam o sistema adrenérgico costumam trazer riscos cardiovasculares.
A nova pílula busca superar essas limitações ao combinar tratamento oral, ação metabólica potente e perfil de segurança mais favorável. Os autores destacam que, se os próximos estudos confirmarem os benefícios, a estratégia pode abrir caminho para uma nova geração de medicamentos metabólicos, inclusive em uso combinado com terapias já existentes.
Os pesquisadores agora avançam para testes de fase 2 em humanos, que irão avaliar a eficácia do medicamento no controle da glicose e na redução de gordura em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2. Também estão previstos estudos de longo prazo para analisar o impacto no peso, na composição corporal, na preservação muscular e na segurança cardiovascular.
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