

Campanha do Janeiro Branco chama atenção para a importância do cuidado com a saúde mental ao longo de todo o ano | Foto: divulgação
21 de janeiro de 2026 — O mês de janeiro é marcado por campanhas de conscientização sobre saúde mental, como o Janeiro Branco, mas o sofrimento emocional vivido por milhões de brasileiros não começa nem termina com o calendário. Segundo a psicóloga Candice Galvão, o início do ano, longe de representar leveza, pode se tornar um dos períodos mais desafiadores do ponto de vista psicológico.
De acordo com a especialista, existe uma expectativa social de que janeiro simbolize renovação imediata, motivação e disposição para mudanças. Quando esse estado emocional não se concretiza, muitas pessoas passam a se sentir frustradas e culpadas. “O discurso do recomeço cria a ideia de que todos precisam começar o ano bem. Quem não consegue entra em um ciclo de autocrítica, ansiedade e sensação de fracasso precoce”, explica Candice Galvão.
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Durante o Janeiro Branco, o debate sobre saúde mental ganha maior visibilidade, mas a psicóloga alerta para o risco de tratar o cuidado emocional como algo pontual. “Saúde mental não é campanha. O sofrimento psíquico não segue datas comemorativas. Quando limitamos esse cuidado a um mês, reforçamos a ideia de que ele é secundário”, afirma.
Outro ponto levantado pela psicóloga clínica é a banalização do autocuidado no início do ano. Para ela, o excesso de mensagens motivacionais e fórmulas prontas pode gerar o efeito contrário. “Autocuidado não é estética emocional nem pensamento positivo forçado. Quando cuidar de si vira performance ou obrigação, ele deixa de proteger e passa a gerar mais cobrança”, pontua.
Janeiro também concentra fatores que impactam diretamente o equilíbrio emocional, como retorno ao trabalho, dívidas acumuladas, metas irreais e conflitos familiares não resolvidos. “É um mês que reúne pressões financeiras, profissionais e emocionais ao mesmo tempo. Muitas pessoas não percebem o quanto isso afeta a saúde mental”, destaca Candice Galvão.
Nesse contexto, a psicóloga reforça que a psicoterapia não deve ser vista apenas como último recurso. “Terapia não é para quando tudo desmorona. Ela é prevenção, organização emocional e fortalecimento psíquico. O cuidado contínuo com a saúde mental precisa ser normalizado”, ressalta.
Ao falar sobre o Janeiro Branco, Candice Galvão defende que a campanha seja um ponto de partida, e não um limite. “Janeiro é importante para abrir conversas, mas cuidar da saúde mental precisa ser um compromisso ao longo do ano. O sofrimento humano não cabe em um único mês”, conclui.
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