

Foto: Ricardo Stuckert/PR
22 de novembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, neste sábado (22), que o G20 tem papel central na construção de um novo modelo econômico baseado na transição energética, resiliência climática e combate à desigualdade. O pronunciamento ocorreu durante sessão dedicada à redução do risco de desastres, mudanças climáticas, sistemas alimentares e transição energética justa, realizada na Cúpula de Líderes em Joanesburgo, na África do Sul.
Lula afirmou que o mundo vive uma nova etapa que exige esforços simultâneos para mitigar a crise climática e preparar sociedades para seus impactos. Segundo ele, o G20 — responsável por 77% das emissões globais — é o fórum decisivo para guiar o planeta rumo ao abandono dos combustíveis fósseis.
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O presidente lembrou que o Brasil liderou as negociações da COP30, realizada em Belém, e reconheceu críticas de organizações civis sobre a falta de ambição climática. Um dos principais pontos de insatisfação foi a ausência de um cronograma global para a eliminação gradual de combustíveis fósseis, tema defendido abertamente por Lula durante toda a conferência.
“A mudança do clima não é uma simples questão ambiental, mas um desafio de planejamento econômico”, afirmou. Ele também citou a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, que reforça compromissos com proteção social, apoio a pequenos produtores e alternativas sustentáveis para comunidades tradicionais.
Lula ressaltou a necessidade de investimentos em infraestrutura capaz de resistir a eventos climáticos extremos. Ele mencionou os Princípios Voluntários para Investir em Redução de Risco de Desastres, aprovados sob liderança da África do Sul, documento que prevê financiamentos de longo prazo para prevenção e resposta a desastres.
Segundo o presidente, sistemas de alerta precoce não são suficientes diante da gravidade dos impactos ambientais previstos. “Construir resiliência não é gasto, é investimento”, afirmou, destacando que cada dólar investido em adaptação evita quatro dólares em prejuízos futuros.
Mais cedo, Lula discursou sobre crescimento sustentável e inclusivo. Ele defendeu a taxação de super-ricos e propostas de troca de dívidas de países pobres por investimentos em desenvolvimento e ação climática. O presidente apoiou a criação de um Painel Independente sobre Desigualdade, nos moldes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), proposto pela África do Sul e liderado pelo economista Joseph Stiglitz.
“Está na hora de declarar a desigualdade uma emergência global”, disse Lula. Para ele, sem financiamento robusto, a Agenda 2030 continuará sendo apenas “uma declaração de boas intenções”.
Lula criticou o aumento do protecionismo global e defendeu soluções multilaterais, citando o papel histórico do G20 em crises anteriores, como a de 2008. Em agenda paralela, o presidente realizou encontro bilateral com Cyril Ramaphosa, líder sul-africano, com quem discutiu a ampliação das relações entre os países e o acordo Mercosul–União Aduaneira da África Austral.
Ramaphosa destacou o êxito da COP30, especialmente pela forte mobilização social. Lula convidou o presidente sul-africano para visita de Estado ao Brasil em 2026.
Neste domingo (23), Lula participará de debates sobre minerais críticos, trabalho decente e inteligência artificial, além de reunião do Fórum Ibas (Índia-Brasil-África do Sul). Depois, segue para Maputo, Moçambique, onde inicia visita de trabalho em celebração aos 50 anos de relações diplomáticas.
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