

Integrantes do MST durante mobilização nacional; governo federal anuncia novo pacote para acelerar a reforma agrária em ano eleitoral | Foto: divulgação/MST
27 de janeiro de 2026 — Em meio ao ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a aproximação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e anunciou a aceleração de desapropriações e novos assentamentos rurais. O governo federal promete destravar projetos parados e lançou um pacote de R$ 2,7 bilhões voltado à reforma agrária, após críticas do movimento sobre a lentidão das ações no campo.
Cobrado ao longo do mandato pelo MST, o Planalto anunciou desapropriações em áreas localizadas nos estados de São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), os novos assentamentos buscam resolver “conflitos antigos e históricos” e promover a pacificação no campo.
O anúncio foi feito durante o encontro nacional do MST, realizado em Salvador na semana passada, com a presença de Lula. O gesto foi interpretado como um sinal claro de reaproximação entre o governo e o movimento, tradicional aliado do petismo e frequentemente criticado pela bancada do agronegócio no Congresso Nacional.
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A lista de terras a serem desapropriadas inclui a Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG), cenário de um dos episódios mais violentos do conflito agrário no país, onde cinco trabalhadores do MST foram assassinados em 2004. O governo também anunciou a conclusão do processo de assentamento da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco (PA), local de um massacre que deixou dez mortos em 2017.
Para o ministro Paulo Teixeira, as medidas seguem rigorosamente a legislação. “Os novos assentamentos resolvem conflitos rurais e promovem a paz no campo. Não há motivo para reação contrária, pois são criados dentro da lei”, afirmou. Integrantes da bancada do agro disseram que aguardam a publicação oficial da lista de áreas para se posicionarem.
Em julho do ano passado, o MST divulgou uma carta pública criticando o ritmo da reforma agrária no atual governo. “Após quase três anos de governo Lula, a reforma agrária continua paralisada”, dizia o texto. Dias depois, Lula recebeu a cúpula do movimento no Palácio do Planalto.
Desde então, o Executivo intensificou entregas de títulos de regularização fundiária e afirmou que o terceiro mandato de Lula pode bater recordes históricos em assentamentos, a exemplo dos governos anteriores do petista.
No encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, Lula defendeu o engajamento político do movimento nas eleições deste ano. O MST anunciou o lançamento de 18 candidaturas ao Legislativo, sendo 12 para assembleias estaduais e seis para a Câmara dos Deputados. Atualmente, o movimento ocupa três cadeiras no Congresso Nacional.
O presidente também reconheceu dificuldades estruturais no Incra e afirmou que pretende se reunir com lideranças rurais nos próximos meses para avaliar o que ainda precisa ser feito em 2026.
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