

Presa na Itália, Carla Zambelli participa remotamente de reunião da CCJ da Câmara que discute a sua cassação | Foto: Kevin Lima/G1
10 de dezembro de 2025 – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, por 32 votos a 2, o parecer que recomenda a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão agora segue para análise do plenário, que terá a palavra final sobre o caso. Para que o mandato seja cassado, são necessários pelo menos 257 votos a favor.
A deputada está presa na Itália, após ser condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acusada de comandar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A condenação transitou em julgado em junho, sem possibilidade de recurso. A extradição da parlamentar ainda está sob análise da Justiça italiana.
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Antes da aprovação, a CCJ rejeitou o relatório do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), que defendia a manutenção do mandato de Zambelli e mencionava suposta “perseguição política”. Por 32 votos a 27, o colegiado derrubou o parecer e escolheu um novo relator, Cláudio Cajado (PP-BA), que votou pela cassação.
Cajado afirmou que não cabe à CCJ questionar o mérito da decisão do STF e destacou que a parlamentar, cumprindo pena em regime fechado no exterior, está impossibilitada de exercer plenamente seu mandato. “Pode uma deputada condenada a 10 anos de prisão manter-se no exercício da representação popular?”, questionou.
A votação foi marcada por tensões políticas e acusações de articulações de bastidores. Deputados da oposição atribuíram ao governo e a aliados a troca de seis membros do União Brasil na CCJ, o que teria alterado o resultado da votação.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia sinalizado que o plenário votaria o caso ainda nesta quarta-feira.
Além do processo de Zambelli, os deputados também devem analisar a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ), acusado de quebrar o decoro parlamentar após expulsar um manifestante da Câmara.
Participando por videoconferência diretamente da Itália, Zambelli tentou se comunicar com o filho que acompanhava a sessão e fez um apelo aos parlamentares. Ela voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, negou participação na invasão ao CNJ e afirmou ser vítima de perseguição.
Seu advogado, Fábio Pagnozzi, reforçou a tese de inocência e disse que a permanência da deputada no cargo seria a “única esperança” para influenciar a análise da extradição na Justiça italiana.
Parlamentares da oposição repetiram que a cassação abriria precedentes e alertaram que novos casos semelhantes poderiam atingir outros deputados. Já aliados do governo argumentaram que não há espaço na Câmara para quem foi condenado a pena superior a dez anos de prisão.
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