

Cellebrite UFED é o dispositivo que se conecta ao celular para extrair informações como arquivos e mensagens | Foto: divulgação/Cellebrite
17 de janeiro de 2026 — A Polícia Federal (PF) dispõe de tecnologias capazes de acessar dados de celulares mesmo sem a senha de desbloqueio e até quando os aparelhos estão desligados. As técnicas, utilizadas em investigações no Brasil, também incluem procedimentos para impedir que informações sejam apagadas remotamente, garantindo a preservação das provas digitais.
O uso desses recursos veio a público após informações divulgadas pelo blog da jornalista Julia Duailibi e reacendeu o debate sobre perícia digital, segurança da informação e os limites tecnológicos no combate ao crime organizado.
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Entre as principais ferramentas empregadas pela PF estão programas de uso restrito como o israelense Cellebrite e o americano Greykey. Esses sistemas são capazes de acessar arquivos, mensagens e outros dados armazenados em dispositivos com sistemas operacionais iOS e Android, mesmo quando os celulares estão bloqueados.
Essas soluções funcionam a partir da conexão física com o aparelho, explorando vulnerabilidades conhecidas ou mecanismos avançados de decodificação para tentar obter a senha de acesso e realizar a extração das informações.
Antes do início da perícia, o primeiro passo adotado pelos investigadores é preservar o celular em um recipiente conhecido como Gaiola de Faraday. Trata-se de uma bolsa ou caixa com revestimento metálico interno que bloqueia completamente a entrada e saída de sinais eletromagnéticos, como internet, Wi-Fi e redes móveis.
Segundo o perito em segurança digital Wanderson Castilho, o objetivo é impedir qualquer comunicação do dispositivo com o mundo externo. Dessa forma, elimina-se o risco de que o proprietário do aparelho apague dados remotamente ou acione sistemas de autodestruição de informações.
O método de extração depende diretamente da condição em que o celular é encontrado. Quando o aparelho está ligado, mas com a tela bloqueada, softwares como Greykey e Cellebrite tentam identificar a senha e copiar os dados por meio de uma conexão USB. Já em casos em que o celular está desligado ou danificado, os peritos podem recorrer à técnica conhecida como “chip off”.
Nesse procedimento, o aparelho é desmontado e componentes fundamentais, especialmente o chip de memória, são retirados para que os dados sejam transferidos e analisados em outro dispositivo, por meio da aplicação de pulsos elétricos controlados.
Embora arquivos e mensagens não desapareçam imediatamente da memória, os especialistas ressaltam que a extração deve ocorrer o mais rápido possível. Isso porque algumas informações estratégicas, como registros temporários e até dados relacionados à senha de bloqueio, podem se perder com o tempo ou após reinicializações automáticas do sistema.
Atualizações recentes de sistemas operacionais, como as do iPhone, passaram a reiniciar o aparelho automaticamente após longos períodos bloqueado, justamente para dificultar esse tipo de acesso. Ainda assim, as ferramentas forenses continuam evoluindo para acompanhar essas mudanças.
As licenças de softwares como Greykey e Cellebrite podem custar cerca de US$ 50 mil por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 270 mil. Por esse motivo, o uso é restrito a órgãos de segurança e instituições autorizadas, como a Polícia Federal, e segue protocolos técnicos rigorosos.
O avanço dessas tecnologias reforça o papel da perícia digital como peça-chave nas investigações criminais contemporâneas, ao mesmo tempo em que levanta discussões sobre privacidade, proteção de dados e limites legais do acesso à informação.
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