

Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã | Foto: TV estatal do Irã via AP
11 de janeiro de 2026 — O número de mortos nos protestos que se espalham pelo Irã há quase duas semanas subiu para 192, segundo levantamento divulgado neste domingo (11) pela organização Iran Human Rights, com sede na Noruega. As manifestações, que contestam o regime do aiatolá Ali Khamenei, têm sido marcadas por confrontos violentos e denúncias de repressão policial.
De acordo com a ONG, o total de vítimas pode ser ainda maior, já que o bloqueio de internet imposto pelo governo iraniano dificulta a checagem independente das informações. As manifestações são consideradas as mais intensas no país desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini gerou uma onda de protestos nacionais.
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O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, reforçando a linha dura adotada pelo governo. Manifestantes denunciam o uso excessivo da força por parte das forças de segurança em diversas cidades do país.
A repressão ocorre em meio à expansão do movimento, que ganhou escala e violência desde os últimos dias de 2025, atingindo centros urbanos estratégicos e provocando cenas de caos nas ruas, como incêndios de veículos e confrontos diretos com a polícia.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu que a população se afaste do que classificou como “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que declarou estar disposto a “ouvir o povo” e buscar diálogo. Apesar disso, o governo voltou a acusar Estados Unidos e Israel de “semear o caos” no país.
A retórica se intensificou após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou intervir caso o regime iraniano continue a matar manifestantes pacíficos. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que, em caso de ataque ao Irã, bases militares dos EUA e territórios israelenses seriam considerados “alvos legítimos”.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que a defesa da segurança nacional é “inegociável”, enquanto autoridades do regime classificam o país como estando “em plena guerra”. O líder supremo Ali Khamenei afirmou recentemente que o governo “não vai recuar” diante dos protestos, chamando os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.
No cenário internacional, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, possíveis desdobramentos da crise. Analistas apontam que os protestos ocorrem em um momento de fragilidade política e econômica do Irã, agravado por sanções internacionais restabelecidas pela ONU e por tensões recentes no Oriente Médio.
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