

Espião russo preso na Penitenciária de segurança máxima Federal em Brasília | Foto: reprodução
26 de dezembro de 2025. O destino do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde o fim de 2022, será definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora exista uma análise técnica em curso no Ministério da Justiça, a eventual extradição do cidadão russo à Rússia dependerá de uma decisão política do Palácio do Planalto.
Cherkasov cumpre pena em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília até 2027, após ter sido condenado pelo uso de documentos falsos. No entanto, um aval jurídico pode permitir que a extradição ocorra antes do término da pena.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O pedido formal da Rússia está sob análise do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), ligado ao Ministério da Justiça. A pasta recebeu neste mês um documento da 15ª Vara Federal informando que não há mais processos em andamento contra Cherkasov no Distrito Federal, o que anteriormente impedia o avanço da extradição.
Além disso, o ministério solicitou informações atualizadas à Polícia Federal, à Justiça Federal de São Paulo, à 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro, ao Ministério Público do Rio de Janeiro e ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Atualmente, não há inquérito ativo contra Cherkasov na Polícia Federal, embora ele figure como parte de uma investigação mais ampla sobre uma rede de espionagem russa que teria usado o Brasil como base de operações.
Desde sua prisão, Sergey Cherkasov tornou-se alvo de interesse de dois países: Rússia e Estados Unidos. Moscou foi o primeiro a solicitar a extradição, alegando que ele seria procurado por crimes de tráfico internacional. No entanto, investigadores brasileiros apontaram inconsistências na documentação enviada, levantando a suspeita de uma tentativa de resgate do espião.
Os Estados Unidos também solicitaram a extradição, com base em informações da CIA de que Cherkasov teria usado identidade falsa em território norte-americano e atuado como espião enquanto frequentava uma universidade.
Mesmo com a análise técnica do Ministério da Justiça, integrantes do governo afirmam que a decisão final caberá a Lula, o que torna o desfecho do caso eminentemente político.
A Polícia Federal identificou uma sofisticada rede de espionagem russa instalada no Brasil há pelo menos 12 anos, com ramificações em outros países da América Latina. Dez agentes foram descobertos em 2022, e ao menos um seguia sob investigação em 2025.
Segundo a PF, os espiões criavam identidades falsas e vidas socialmente críveis para atuar como brasileiros no exterior. Entre os disfarces estavam empresários, estudantes, modelos e comerciantes. A maioria conseguiu deixar o país após ser descoberta, exceto Cherkasov.
O caso de Cherkasov ganhou repercussão internacional quando ele foi detido ao tentar desembarcar na Holanda, em 2022, com um passaporte brasileiro falso. Ele pretendia trabalhar no Tribunal Penal Internacional, em Haia, instituição da qual a Rússia não faz parte e que mantém um mandado de prisão contra o presidente Vladimir Putin por crimes de guerra.
As investigações apontam que o espião recebia recursos financeiros de agentes ligados ao governo russo no Brasil e mantinha contato direto com superiores na Rússia. Quebras de sigilo bancário e dados extraídos de seu celular reforçaram as suspeitas de espionagem e lavagem de dinheiro.
A investigação segue em andamento na sede da Polícia Federal em Brasília, enquanto o governo brasileiro avalia os impactos diplomáticos e políticos de uma eventual extradição.
Leia também | Em carta, Bolsonaro confirma Flávio como pré-candidato à Presidência da República em 2026
Tags: Lula, governo Lula, espionagem russa, espião russo no Brasil, Sergey Vladimirovich Cherkasov, extradição, Ministério da Justiça, Polícia Federal, DRCI, segurança nacional, diplomacia brasileira, relações internacionais, Rússia, Estados Unidos, CIA, investigação federal, documentos falsos, Tribunal Penal Internacional, Vladimir Putin, geopolítica, política externa, Portal Terra Da Luz