

Pré-COP30: base de acordos e alinhamentos rumo à conferência da Amazônia | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
15 de outubro de 2025 — Por dois dias, negociadores de 67 países participaram, em Brasília, da Pré-COP30, evento preparatório para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, a partir de 10 de novembro.
O encontro encerrou-se na noite de terça-feira (14) sem acordos formais, mas com avanços considerados importantes para a construção de entendimentos prévios e mapeamento de possíveis impasses nas negociações internacionais sobre o clima.
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O embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, destacou que a reunião foi essencial para identificar convergências e divergências entre as nações.
“Os países foram muito claros sobre o que podem ou não aceitar nas negociações. Isso nos permite chegar em Belém com um mapa mais preciso das posições”, afirmou.
Segundo Corrêa do Lago, dos 140 temas oficiais da conferência, cerca de seis ou sete são considerados prioritários, e outros 20 têm relevância significativa para o debate global.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avaliou que a Pré-COP30 fortaleceu as condições para diálogos mais produtivos durante a conferência em Belém.
Ela destacou a importância da cooperação internacional frente aos eventos climáticos extremos, que afetam indistintamente países e fronteiras.
“Os fenômenos climáticos não conhecem fronteiras. Chuvas torrenciais, incêndios e secas exigem ação conjunta e solidariedade global”, ressaltou.
Entre as prioridades citadas pela ministra estão o financiamento para a preservação das florestas e a conservação dos oceanos.
A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, reforçou que houve consenso sobre a necessidade de novos instrumentos econômicos voltados à valorização da natureza. Ela ressaltou que o encontro reafirmou o caráter prático da conferência:
“Ficou muito claro que esta deve ser uma COP de implementação e soluções.”
A transição energética também esteve entre os principais temas, com destaque para a proposta brasileira de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2030.
Um dos temas que deverá ganhar força na COP30 é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa liderada pelo Brasil em parceria com países como Colômbia, Noruega, Reino Unido, França e Emirados Árabes Unidos.
Com valor estimado em US$ 125 bilhões (cerca de R$ 680 bilhões), o fundo visa preservar biomas florestais em cerca de 70 países, com 20% dos recursos destinados diretamente a comunidades indígenas e tradicionais.
O mecanismo prevê o pagamento de US$ 4 por hectare preservado, reforçando o papel das comunidades na conservação ambiental.
Para organizações como o Greenpeace Brasil, a Pré-COP foi positiva na construção do diálogo multilateral, mas ainda carece de ações concretas para a proteção das florestas tropicais.
“A Amazônia é o diferencial da COP30, e não vimos um engajamento proporcional ao papel essencial das florestas no equilíbrio climático”, afirmou Camila Jardim, especialista em política internacional da ONG.
A Conservação Internacional também destacou que as soluções baseadas na natureza podem responder por até 30% das reduções de emissões até 2030, mas ainda recebem menos de 3% do financiamento climático global.
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