

Monitoramento aponta redução insuficiente para atingir desmatamento zero | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
12 de maio de 2025 — O desmatamento total na Mata Atlântica caiu 14% em 2024, segundo dados do Atlas da Mata Atlântica e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) divulgados nesta segunda-feira (6) pela Fundação SOS Mata Atlântica. No entanto, a perda de matas maduras, consideradas essenciais para a biodiversidade e o equilíbrio climático, caiu apenas 2%.
Mesmo com o recuo, a SOS avalia que os índices ainda são altos demais frente ao objetivo do desmatamento zero. Estados como Piauí e Bahia lideram o ranking de áreas desmatadas, com 26.030 e 23.218 hectares, respectivamente.
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A principal causa do desmatamento continua sendo a expansão da agropecuária em áreas privadas, responsável pela maioria dos alertas em 2024. A maioria das áreas afetadas não possui regularização fundiária, o que reflete a urgência de maior fiscalização ambiental e aplicação da Lei da Mata Atlântica, que só permite derrubada em casos excepcionais.
Segundo o diretor da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto, a degradação do bioma ameaça serviços ecossistêmicos essenciais, a segurança hídrica e a economia do país. O bioma abriga 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional.
O levantamento mostrou um aumento expressivo do desmatamento no Rio Grande do Sul, com 3.307 hectares perdidos — mais de três vezes o registrado em 2023. A causa principal foram os deslizamentos provocados pelas chuvas intensas, considerados desastres naturais.
As áreas de risco com alta declividade, como a Serra do Mar (SP), serras do RJ e região serrana do RS, sofreram perdas significativas. A SOS Mata Atlântica alerta que os efeitos climáticos extremos já impactam inclusive Unidades de Conservação, exigindo ação coordenada entre proteção ambiental, uso do solo e adaptação climática.
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