

Populações em áreas vulneráveis ainda enfrentam dificuldades no acesso à água potável e saneamento básico no Brasil | Foto: José Cruz/Agência Brasil
22 de março de 2026 – Mesmo com avanços no acesso à água potável, o Brasil ainda enfrenta desigualdades profundas quando o assunto é saneamento básico. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico apontam que o país evoluiu nos últimos anos, mas ainda está distante de garantir acesso universal, conforme estabelece o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da Organização das Nações Unidas.
Em 2023, cerca de 98,1% da população brasileira tinha acesso à água potável segura. No entanto, esse número esconde diferenças significativas: em áreas rurais, o índice cai para 88%, com situações ainda mais críticas nas regiões Norte (79,4%) e Nordeste (81,9%). Além disso, populações não brancas registram menor acesso ao recurso.
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Quando o tema é esgotamento sanitário, o cenário é mais preocupante. Apenas 59,9% da população conta com acesso seguro ao serviço, e na Região Norte esse percentual despenca para 39,6%. O Brasil trata somente 57,6% do esgoto gerado, o que significa que quase metade dos resíduos é descartada sem tratamento adequado.
A consequência é direta: impactos na saúde pública, no meio ambiente e na segurança hídrica do país. Segundo especialistas, o problema não está apenas na cobertura, mas principalmente em quem ainda é excluído desse direito básico.
A falta de água e saneamento atinge de forma mais intensa mulheres e meninas. Em muitos casos, são elas as responsáveis por buscar água e cuidar das tarefas domésticas, o que aumenta a sobrecarga e a exposição a riscos sanitários e sociais.
Sem acesso adequado, a desigualdade de gênero se intensifica, afetando a saúde, a educação e a geração de renda. A ausência de saneamento também compromete o futuro de crianças e jovens, ampliando desigualdades sociais já existentes.
O impacto do saneamento básico vai além da saúde. Estudos mostram que crianças com acesso a esses serviços estudam, em média, dois anos a mais do que aquelas sem acesso, o que influencia diretamente na renda e nas oportunidades ao longo da vida.
Especialistas também defendem que o avanço na gestão da água passa por mudanças no padrão de consumo e pelo reconhecimento do protagonismo feminino na preservação dos recursos hídricos.
Garantir acesso universal à água e ao saneamento, aliado a políticas de sustentabilidade e justiça social, é fundamental para reduzir desigualdades e promover desenvolvimento no país.
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