

Ministro do STF Alexandre de Moraes ao lado da esposa Viviane Barci de Moraes, advogada cujo escritório prestou consultoria jurídica ao Banco Master | Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR
09 de março de 2026 – O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, divulgou nota pública nesta segunda-feira esclarecendo a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master, instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com o comunicado, o escritório foi contratado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para prestar serviços de consultoria e assessoria jurídica ao banco. A banca afirma que o trabalho envolveu uma equipe de 15 advogados e a contratação de outros três escritórios especializados para apoio técnico.
A nota destaca ainda que nenhuma causa foi conduzida pelo escritório no âmbito do STF, ressaltando que os serviços prestados não tiveram relação com processos na Corte.
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Segundo o documento divulgado pela banca, o contrato envolveu diversas atividades de consultoria jurídica voltadas principalmente para áreas de compliance, governança corporativa e análise regulatória.
Durante o período de prestação de serviços, foram realizadas 94 reuniões de trabalho entre representantes do banco e os advogados do escritório.
Desse total, 79 encontros ocorreram presencialmente na sede do Banco Master, com duração média de três horas, envolvendo equipes da área de compliance e da gestão corporativa da instituição financeira.
Também foram realizadas 13 reuniões com a presidência do banco e outras duas por videoconferência entre o departamento jurídico da instituição e os advogados responsáveis pela consultoria.
Entre as atividades desenvolvidas, a banca afirma ter elaborado 36 pareceres jurídicos sobre temas variados, incluindo questões previdenciárias, trabalhistas, contratuais, regulatórias, proteção de dados e mercado financeiro.
A divulgação da nota ocorre após a nova prisão de Daniel Vorcaro, realizada pela Polícia Federal na última quarta-feira (4), em São Paulo.
A prisão integra a terceira fase da operação que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos.
A medida foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, que assumiu recentemente a relatoria do caso.
Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado ao tentar embarcar em um avião particular no aeroporto de Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino à Europa, segundo investigadores.
O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de mensagens atribuídas ao empresário e supostamente enviadas ao ministro Alexandre de Moraes por aplicativo de mensagens.
Segundo reportagens publicadas pelo jornal O Globo, os conteúdos teriam sido obtidos a partir da perícia realizada pela Polícia Federal em dispositivos eletrônicos apreendidos durante as investigações.
Após a divulgação das mensagens, o STF informou por meio de nota que o ministro Alexandre de Moraes nega ter recebido as mensagens atribuídas ao banqueiro.
O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, após sinais de fragilidade financeira e elevado risco de insolvência.
A crise também atingiu outras instituições ligadas ao mesmo grupo financeiro, incluindo o Will Bank e o Banco Pleno.
Um dos pontos que chamou atenção do mercado foi a oferta de produtos financeiros com rentabilidade muito acima da média, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Esses títulos de renda fixa funcionam como empréstimos feitos pelos investidores aos bancos, que em troca oferecem pagamento de juros.
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