

15 de dezembro de 2025 – Educado, discreto e de fala mansa. Assim Rodrigo Alvarenga Paredes se apresentava em público, sustentando a imagem de empresário, fazendeiro e herdeiro de uma família abastada. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, o perfil aparentemente inofensivo escondia um dos maiores traficantes de drogas da América do Sul, responsável por um esquema internacional de envio de cocaína para a Europa.
Preso desde março de 2023, Alvarenga é acusado de liderar uma organização criminosa transnacional estruturada nos moldes de uma empresa, com atuação em diferentes países e controle rigoroso de todas as etapas do tráfico.
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Em depoimento prestado à Justiça em maio deste ano, Rodrigo Alvarenga pediu desculpas pela emoção, agradeceu a oportunidade de falar e destacou sua origem familiar. Disse ter nascido em uma “família abençoada” e afirmou que sempre manteve um padrão de vida confortável, sem ostentação.
Durante a audiência, negou ser líder ou financiador de qualquer organização criminosa. “Nego categoricamente. Para mim, isso é como se fosse um filme de terror”, declarou.
Para os investigadores, no entanto, o comportamento reservado era parte da estratégia para despistar as autoridades. As apurações indicam que Alvarenga coordenava desde a negociação da cocaína em países produtores até a logística de transporte, envio internacional e lavagem do dinheiro obtido com o tráfico.
Segundo a Polícia Federal, o grupo liderado por Alvarenga enviou ao menos 11 toneladas de cocaína para a Europa entre 2020 e 2022. O volume está avaliado em aproximadamente R$ 2,8 bilhões.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, tratava-se de uma organização criminosa transnacional altamente profissionalizada, com divisão de funções e estrutura empresarial para operar em todas as fases do esquema.
A investigação aponta que a droga era produzida na Bolívia, transportada por carros ou aeronaves pelo Paraguai e introduzida no Brasil pela região Sul. Em seguida, a cocaína era enviada para portos brasileiros e despachada ao exterior escondida em meio a cargas legais, com destino à Europa, Ásia e África.
As apurações levaram os investigadores ao porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, apontado como a principal base logística do grupo. Segundo as autoridades, a organização criminosa contava com o apoio de empresários locais para ter acesso a áreas restritas do porto e viabilizar as exportações usadas para ocultar a droga.
Um dos episódios que mais chamou a atenção envolve uma carga de 1,7 tonelada de cocaína enviada para Hamburgo, na Alemanha. Mensagens interceptadas mostram o albanês Armando Pacani, apontado como um dos principais compradores, relatando o desaparecimento de um contêiner. Parte da droga foi recuperada pelos criminosos, enquanto o restante acabou apreendido pela polícia alemã.
Pacani está atualmente em Dubai, e o Brasil já solicitou sua extradição. A defesa afirma que ele é um cidadão comum, sem antecedentes criminais.
A defesa de Rodrigo Alvarenga nega as acusações e afirma que não há provas suficientes para uma condenação criminal. Segundo os advogados, o acusado não participou dos atos descritos na denúncia.
Desde o início das operações, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal já prenderam 21 pessoas ligadas ao esquema e bloquearam bens avaliados em quase R$ 500 milhões, como parte do combate à organização criminosa.
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