

Polícia apreende bebidas e materiais em fábrica clandestina investigada por adulteração com metanol na Grande São Paulo | Foto: reprodução
26 de janeiro de 2026 — A Polícia Civil de São Paulo investiga novos desdobramentos de um esquema de falsificação de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica e potencialmente fatal. Áudios extraídos do celular de Vanessa Maria da Silva, já condenada por falsificação de bebidas, revelam detalhes do funcionamento da rede clandestina e reforçam a ligação do esquema com mortes registradas no estado.
As mensagens, obtidas com exclusividade, indicam como ocorria a produção e a distribuição das bebidas falsificadas na Grande São Paulo. Segundo a investigação, Vanessa está no centro do esquema e é apontada como responsável direta por pelo menos duas mortes causadas por intoxicação.
De acordo com a polícia, os criminosos costumavam utilizar etanol — prática ilegal — na fabricação das bebidas. No entanto, em um dos lotes, o álcool utilizado estaria contaminado com metanol, o que resultou em diversos casos graves de envenenamento.
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A delegada responsável pelo caso afirma que o grupo utilizava álcool adquirido em postos de combustível para adulterar as bebidas. Naquele período, a substância estaria “batizada” com metanol, o que provocou intoxicações severas e mortes.
O metanol é um composto químico extremamente tóxico. A ingestão pode causar cegueira, falência de órgãos e levar à morte mesmo em pequenas quantidades.
As duas mortes confirmadas são de homens que consumiram bebidas no mesmo bar, localizado na Zona Leste da capital paulista. O estabelecimento foi interditado em outubro, após o dono confessar à polícia que comprava bebidas adulteradas de um revendedor.
Esse distribuidor foi identificado e apontou Vanessa como fornecedora. Ela foi presa em flagrante em uma fábrica clandestina instalada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde a polícia encontrou recipientes plásticos contendo metanol.
Com documentos e o celular apreendidos, a polícia conseguiu mapear a rede de distribuição. Vanessa atuava com diversos intermediários, e as bebidas falsificadas chegaram a bares e comércios em diferentes cidades da Região Metropolitana de São Paulo.
Em uma das mensagens analisadas, uma revendedora relata a preocupação de uma comerciante ao perceber o cheiro forte de álcool na bebida, temendo que clientes passassem mal ou fossem hospitalizados.
Mesmo após surgirem os primeiros casos de intoxicação, Vanessa enviou mensagens a comerciantes tentando minimizar o risco e garantir que a mercadoria não apresentava problemas. Alguns, no entanto, decidiram recolher os produtos.
Presa em outubro, ela foi julgada em dezembro e condenada, em primeira instância, a sete anos de prisão em regime fechado por falsificação de bebidas. Durante o julgamento, negou comercializar produtos adulterados, embora tenha admitido saber da existência de materiais usados na produção clandestina.
Outros investigados incluem familiares próximos de Vanessa, como o pai, o ex-companheiro e o cunhado. Um deles confessou falsificar vodcas com bebidas mais baratas, mas negou o uso de metanol. A polícia acredita que mais vítimas possam surgir, especialmente na região de São Bernardo do Campo.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, até a última sexta-feira, o país registrou 25 mortes e 76 casos de intoxicação por bebidas com metanol. O número de ocorrências cresceu mais de 400% entre 2024 e 2025, acendendo o alerta para comerciantes e consumidores.
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