

Detalhes da Coluna de Marco Aurélio, de mármore com 1.840 anos, que se eleva sobre o centro de Roma | Foto: Edwin Remsberg/VWPics/Universal Images Group via Getty Images
28 de dezembro de 2025 — Um dos mais impressionantes monumentos da Roma Antiga está passando por um processo inédito de conservação. A Coluna de Marco Aurélio, com cerca de 1.840 anos, está sendo restaurada com tecnologia a laser em um projeto avaliado em US$ 2,3 milhões (aproximadamente R$ 12,7 milhões). A intervenção promete devolver nitidez a cenas históricas esculpidas no mármore e preservar a integridade do monumento para as próximas gerações.
Localizada no centro de Roma, em frente ao Palazzo Chigi — sede do governo italiano —, a coluna é um dos raros monumentos de guerra da era romana que permanecem em seu local original, conectando simbolicamente a Roma Antiga ao Estado moderno.
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Desde a primavera de 2025, uma equipe formada por 18 restauradores especializados atua na limpeza e recuperação do monumento, que tem cerca de 30 metros de altura. O trabalho utiliza lasers portáteis de pulso curto combinados com envoltórios químicos, capazes de remover séculos de sujeira sem comprometer o mármore original.
Construída entre 180 d.C., ano da morte do imperador e filósofo Marco Aurélio, e 193 d.C., a coluna estava coberta por depósitos escuros causados pela poluição, chuva e vento ao longo dos séculos. Segundo a restauradora-chefe Marta Baumgartner, esta é a aplicação mais extensa da tecnologia a laser já realizada em um monumento antigo.
“O laser oferece resultados superiores aos métodos tradicionais, tanto em precisão quanto em tempo de execução, além de garantir total respeito ao material original e às pátinas naturais do mármore”, afirmou a especialista.
Os frisos em espiral da coluna envolvem o monumento 23 vezes, formando uma narrativa contínua que retrata as campanhas militares do Império Romano sob o comando de Marco Aurélio. São mais de 2.000 figuras esculpidas em 18 tambores de mármore, incluindo soldados, prisioneiros, animais, deuses e até uma cena de intervenção divina representada por um dilúvio de chuva no campo de batalha.
As imagens mostram episódios violentos, como decapitações e prisioneiras arrastadas pelos cabelos, difíceis de serem vistas a partir do solo, mas impressionantes quando observadas de perto. Moldes em gesso feitos em 1955, hoje expostos no Museu da Civilização Romana, continuam sendo referência para pesquisadores e historiadores.
Durante o processo, os restauradores identificaram materiais inadequados utilizados em intervenções do século 19 e também em uma restauração realizada nos anos 1980. Esses materiais comprometeram o frágil mármore de Carrara e estão sendo cuidadosamente removidos.
Outro marco histórico da coluna ocorreu em 1589, quando a estátua original de Marco Aurélio no topo foi substituída por uma escultura de bronze de São Paulo, que permanece até hoje.
A área ao redor do monumento, fechada após uma tentativa de assassinato contra guardas do Palazzo Chigi em 2013, só voltou a ser reaberta ao público em 2023. A restauração atual está prevista para ser concluída no início de 2026.
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