

Encontro entre líderes dos Estados Unidos e da Rússia; fim do tratado New START reacende temores de uma nova corrida nuclear | Foto: Drew Angerer/AFP
05 de fevereiro de 2026 – O mundo entrou oficialmente em uma nova e instável fase da geopolítica internacional com o fim do tratado New START, acordo que limitava os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia. Com a expiração do pacto nesta quarta-feira (4), as duas maiores potências atômicas do planeta passam a não ter restrições formais sobre produção, posicionamento e quantidade de ogivas nucleares prontas para uso, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
O cenário é considerado inédito desde o fim da Guerra Fria e tende a acelerar a corrida armamentista nuclear, ampliando riscos globais e incentivando outros países a reforçarem ou iniciarem seus próprios programas atômicos.
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Assinado em 2010 por Washington e Moscou, o tratado New START estabelecia limites rigorosos aos arsenais nucleares, permitindo até 1.550 ogivas prontas para uso por país, além de impor regras sobre meios de lançamento, inspeções presenciais e troca de informações estratégicas.
Para analistas, o acordo funcionava como um pilar da estabilidade internacional. “O fim do New START remove o último freio institucional que ainda continha essa corrida armamentista”, afirmou ao g1 o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin. Segundo ele, o tratado administrava a rivalidade entre EUA e Rússia e oferecia um mínimo de previsibilidade estratégica entre as potências.

Especialistas apontam que a ascensão da China como potência nuclear foi decisiva para o colapso do tratado. O país asiático vem ampliando rapidamente seu arsenal e produz cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023, de acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri).
Atualmente, Pequim possui cerca de 600 ogivas nucleares, mas projeções indicam que esse número pode chegar a 1.500 até 2035. Esse avanço levou os Estados Unidos a pressionarem pela inclusão da China em um novo acordo de controle nuclear — proposta rejeitada por Pequim, que alega desvantagem histórica em relação a EUA e Rússia.
Para Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o cenário atual marca a entrada do planeta em uma “3ª Era Nuclear”, caracterizada pela ausência de limites formais, desconfiança entre potências e ampliação irrestrita dos arsenais.
Nesse contexto, países que não possuem armas nucleares podem se sentir pressionados a buscar alternativas para garantir sua segurança. Alemanha, Polônia, Ucrânia, Japão e Coreia do Sul já demonstraram preocupação diante da nova realidade estratégica, segundo especialistas.
A proliferação de armas nucleares eleva significativamente os riscos de conflitos de grandes proporções. Quanto maior o número de países com ogivas atômicas, maior a dependência da racionalidade dos líderes mundiais e o risco de erros de cálculo ou acidentes.
Outro fator de preocupação é o uso crescente de tecnologias avançadas, como mísseis hipersônicos e sistemas baseados em Inteligência Artificial. “A velocidade desses armamentos reduz o tempo de reação humana e aumenta o risco de decisões automatizadas em situações críticas”, alertou Rudzit.
Analistas avaliam que a nova corrida armamentista não se limita às grandes potências. Um exemplo citado é a aproximação estratégica entre Arábia Saudita e Paquistão, que pode garantir acesso indireto a armamentos nucleares, ampliando ainda mais o alcance da proliferação.
Para especialistas, o fim do New START inaugura um período de incertezas profundas, com menos mecanismos de controle e maior ameaça à segurança internacional.
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Tags: tratado New START, corrida nuclear, armas nucleares, proliferação de ogivas, EUA, Rússia, China, segurança internacional, geopolítica mundial, política externa, arsenal nuclear, Guerra Fria, relações internacionais, estratégia militar, Inteligência Artificial militar, Portal Terra da Luz