

Fenômeno que deixou céu roxo em Cambará do Sul | Foto: Divulgação/ Egon Filter
25 de janeiro de 2026 — O céu noturno de Cambará do Sul, na Serra Gaúcha, foi tomado por um intenso tom roxo por cerca de cinco minutos e despertou curiosidade de moradores, fotógrafos e especialistas. O fenômeno, registrado na última semana, lembra visualmente a aurora boreal, mas ainda não possui explicação científica conclusiva para sua ocorrência no Rio Grande do Sul.
O registro foi feito por volta das 21h pelo fotógrafo Egon Filter, morador da região e especialista em astrofotografia. Em imagem de longa exposição, o céu aparece iluminado por um clarão roxo intenso, semelhante às auroras observadas em regiões próximas aos polos do planeta.
Com mais de quatro décadas de experiência e passagens por mais de 100 países, Egon afirma que nunca havia presenciado algo semelhante no Sul do Brasil. Para ele, o fenômeno pode estar relacionado a uma aurora austral, ocorrência extremamente rara em latitudes tão baixas como as do Rio Grande do Sul.
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Segundo o fotógrafo, uma forte tempestade solar registrada um dia antes do fenômeno pode ter contribuído para o surgimento do clarão. Em situações excepcionais, essas tempestades podem intensificar a interação entre o vento solar e o campo magnético da Terra, permitindo que efeitos luminosos sejam vistos fora das regiões polares.
Apesar da hipótese, especialistas alertam que auroras clássicas dificilmente seriam visíveis no Sul do país. O professor Carlos Fernando Jung, fundador de um observatório astronômico no Vale do Paranhana, destaca que nunca houve registros confirmados desse tipo de evento no estado.
Entre as possibilidades levantadas está o chamado airglow, um fenômeno atmosférico causado pela colisão de átomos na alta atmosfera após tempestades geomagnéticas. Esse efeito costuma gerar brilhos difusos no céu, geralmente menos intensos e mais espalhados.
Já o geofísico espacial José Valentin Bageston, diretor de uma unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no RS, afirma que os dados disponíveis não confirmam nem uma aurora nem um airglow clássico. Segundo ele, sensores de partículas não registraram atividade compatível com auroras no período do fenômeno.
Outra hipótese considerada é a de um Arco Vermelho de Aurora (SAR, na sigla em inglês), estrutura luminosa rara associada a tempestades geomagnéticas intensas. No entanto, Bageston ressalta que o formato e a intensidade observados em Cambará do Sul não correspondem totalmente aos registros conhecidos desse tipo de evento.
Mesmo sem explicação definitiva, o episódio ganhou destaque internacional. Pesquisadores do site norte-americano Space Weather, referência mundial em fenômenos astronômicos, analisaram o registro e também apontaram divergências sobre a natureza do clarão. O consenso, por enquanto, é que se trata de um evento incomum e cientificamente relevante, sobretudo por ter ocorrido no sul do Brasil.
Estudos mais aprofundados e novos registros poderão ajudar a esclarecer o mistério que pintou de roxo o céu da Serra Gaúcha e colocou Cambará do Sul no radar da astronomia mundial.
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