

Soldado ucraniano realiza disparo de artilharia em área de conflito no leste do país, durante ofensiva contra forças russas | Foto: REUTERS/Maksym Kishka
20 de fevereiro de 2026 – A guerra iniciada com a invasão da Rússia à Ucrânia completa quatro anos no próximo dia 22 de fevereiro em meio a um cenário de impasse militar, elevadas perdas humanas e profundos efeitos econômicos e sociais. Desde 2024, as linhas de frente pouco se alteraram, e o domínio russo permanece restrito a cerca de 20% do território ucraniano, incluindo áreas ocupadas antes de 2022, como a Crimeia e partes de Donbas.
Estimativas de centros de pesquisa internacionais indicam que o conflito deve alcançar até o fim da primavera europeia a marca de aproximadamente 2 milhões de baixas somadas entre mortos, feridos e desaparecidos dos dois lados. Em análise recente, o think tank britânico Royal United Services Institute resumiu o momento do conflito ao afirmar que “a Ucrânia não está perdendo e a Rússia não está vencendo”.
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Assim como no campo de batalha, as tentativas diplomáticas para um cessar-fogo duradouro seguem sem resultados concretos. Apesar das promessas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar um acordo de longo prazo após assumir o cargo em 2025, as negociações pouco avançaram.
Na prática, houve redução da ajuda financeira e militar norte-americana em relação ao período da gestão de Joe Biden, o que levou países europeus a adotarem uma postura mais assertiva no apoio a Kiev.
No auge da ofensiva inicial, em março de 2022, tropas russas chegaram a ocupar cerca de 115 mil quilômetros quadrados em poucas semanas. No entanto, contraofensivas ucranianas ainda naquele ano recuperaram aproximadamente 75 mil quilômetros quadrados, incluindo áreas estratégicas nos arredores de Kharkiv e Kherson.
Atualmente, calcula-se que a Rússia ocupe cerca de 12% do território ucraniano, percentual que sobe para 20% quando consideradas as regiões anexadas antes de 2022. Segundo o Center for Strategic and International Studies, os avanços russos recentes têm sido mínimos, variando entre 15 e 70 metros por dia, um dos ritmos mais lentos registrados em grandes campanhas militares no último século.
Embora números oficiais sejam difíceis de confirmar, o CSIS estima que as baixas totais de ambos os lados já somem cerca de 1,8 milhão de pessoas. Desse total, entre 275 mil e 325 mil seriam fatalidades russas, enquanto as perdas ucranianas variariam entre 100 mil e 140 mil mortos no campo de batalha.
A maior proporção de perdas russas é atribuída a fatores como deficiências táticas, falhas de treinamento, corrupção, baixo moral das tropas e a eficácia da estratégia defensiva adotada pela Ucrânia.
A economia ucraniana sofreu um choque profundo no início do conflito. Em 2022, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu quase 29% em relação ao ano anterior. Em 2023, houve recuperação de cerca de 5%, impulsionada por ajuda externa e reorganização interna. Ainda assim, em 2024, a produção econômica correspondia a apenas 78% do nível pré-guerra.
O crescimento desacelerou para 2,4% em 2024 e 2,2% em 2025, mantendo a Ucrânia fortemente dependente de recursos internacionais, inclusive de organismos como o Fundo Monetário Internacional.
Na Rússia, o cenário foi distinto. Após o impacto inicial das sanções em 2022, os gastos militares impulsionaram a economia. O país manteve-se entre as dez maiores economias do mundo em 2025, embora o crescimento tenha desacelerado para cerca de 1% no último ano, indicando um quadro de estagnação.
Outro custo elevado do conflito é o deslocamento forçado da população civil. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados indicam que cerca de 5,3 milhões de ucranianos vivem atualmente como refugiados na Europa, sendo 4,3 milhões em países da União Europeia.
A Alemanha tornou-se o principal destino, com aproximadamente 1,3 milhão de refugiados ucranianos, superando a Polônia, que liderou os registros no início da guerra. Mesmo em 2025, o fluxo migratório seguiu intenso, com saldo mensal de até 8 mil novos deslocados durante o verão europeu.
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