

Beija-Flor celebra Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo | Foto: Reuters/Pilar Olivares
17 de fevereiro de 2026 – O segundo dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro consagrou Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro como os grandes destaques da noite. A Marquês de Sapucaí foi palco de enredos marcados por homenagens, ancestralidade afro-brasileira e emoção do início ao fim.
Também passaram pela avenida a Mocidade Independente de Padre Miguel e a Unidos da Tijuca. Todas as escolas cumpriram o tempo máximo de 80 minutos, mantendo o ritmo intenso da competição.
Na primeira noite, Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira haviam sido os principais destaques, ao lado de Acadêmicos de Niterói e Portela. O encerramento do Grupo Especial acontece na noite de terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), com Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
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Abrindo a segunda noite, a Mocidade Independente de Padre Miguel levou à Sapucaí o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, em homenagem à cantora Rita Lee. O desfile destacou o legado musical, estético e comportamental da artista, com um abre-alas colorido e referências diretas às canções que marcaram gerações.
Em respeito à militância de Rita pela causa animal, a escola optou por fantasias sem o uso de penas naturais. Um dos carros emocionou o público ao lembrar o cão Orelha, símbolo da luta contra maus-tratos. No encerramento, a Mocidade celebrou a música “Lança Perfume” com a presença de Roberto de Carvalho, viúvo da cantora.
Atual campeã do carnaval, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou o enredo “Bembé”, que contou a história do maior candomblé de rua do mundo, realizado há mais de um século em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.
Com carros grandiosos e um samba que levantou o público, a escola transformou a Sapucaí em um grande ritual afro-brasileiro. A comissão de frente trouxe um barco simbólico que se erguia para revelar a Mãe da Água, enquanto o abre-alas evocava rituais de purificação e a força de orixás como Oxum e Iemanjá.
Já na madrugada de terça-feira (17), a Unidos do Viradouro emocionou o público com o enredo “Pra cima, Ciça!”, dedicado a Mestre Ciça, um dos maiores nomes da história do carnaval carioca.
A comissão de frente trouxe elementos clássicos da bateria e narrou a trajetória do homenageado desde a infância. Em um dos momentos mais impactantes da noite, grandes apitos se uniram para formar a Praça da Apoteose, revelando o próprio Mestre Ciça saudando a avenida. O desfile marcou ainda o retorno da atriz Juliana Paes como rainha de bateria após 18 anos.
Encerrando a segunda noite, a Unidos da Tijuca levou à Sapucaí o enredo dedicado à escritora Carolina Maria de Jesus. A comissão de frente apresentou a autora a partir da obra Quarto de Despejo, com cenas que retrataram sua vida na favela e o processo de criação literária.
O desfile percorreu a trajetória da escritora mineira desde a infância até o reconhecimento nacional, propondo uma reflexão sobre memória, apagamento histórico e justiça social, com um samba que emocionou o público e fechou a noite em tom de respeito e reverência.
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