

A PGR defendeu a retirada do sigilo de processo que trata de pagamentos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antes de julgamento no STF. | Foto: José Cruz/Agência Brasil
14 de setembro de 2026 – A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a retirada do sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O parecer foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em resposta a um pedido do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes havia enviado um ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, no qual afirmou ser essencial retirar o sigilo da petição relacionada aos pagamentos realizados por Vorcaro.
Antes de tomar uma decisão, Fachin solicitou manifestação da PGR. O órgão defendeu que o processo seja tornado público para que seja possível compreender a totalidade dos elementos relacionados ao tema que será analisado pela Corte.
“Poss[a]-se compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve”, afirmou a manifestação assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho.
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O parecer faz referência ao julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do Supremo deverá analisar se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Até o momento, o STF retirou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente relacionadas a Vorcaro.
A petição específica sobre os pagamentos do ex-banqueiro, no entanto, permanece sob sigilo. Segundo a PGR, o órgão sequer tinha conhecimento da existência do processo, que “não aparece visível à PGR no sistema do STF”.
A Procuradoria argumenta que o acesso ao conteúdo é necessário diante da relevância do caso e da proximidade do julgamento no plenário.
Na sessão de terça-feira (15), os ministros deverão analisar um relatório da Polícia Federal que reúne 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e destinadas a Alexandre de Moraes.
O material foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e reúne mensagens trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.
Em parte das conversas, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro trecho, segundo os investigadores, o ex-banqueiro busca informações sobre uma operação da Polícia Federal que teria como objetivo prendê-lo. As respostas do interlocutor, porém, não puderam ser recuperadas.
O relatório se tornou público no início de setembro, depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo do material.
A decisão provocou um forte embate entre integrantes da Corte e intensificou a crise envolvendo a investigação.
A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório por considerar que houve irregularidades na sua elaboração. Segundo o órgão, Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de investigações envolvendo um ministro do STF sem comunicar previamente o plenário.
Após a divulgação do relatório, Alexandre de Moraes apresentou o que classificou como um “relatório de inteligência” da Polícia Federal. Segundo o ministro, o documento apontaria um possível direcionamento das investigações do caso Master por André Mendonça com o objetivo de atingir adversários políticos.
O material, contudo, não possui assinatura nem timbre oficial da Polícia Federal. Na capa, também consta a indicação de que o conteúdo foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes pediu a Edson Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.
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