
Faturamento da indústria de transformação caiu 2% em julho, segundo dados divulgados pela CNI | Foto: CNI/José Paulo Lacerda
10 de setembro de 2026 – O faturamento da indústria de transformação caiu 2% em julho, na comparação com junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o indicador registra queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com a CNI, o desempenho foi pressionado pelos juros altos e pela desaceleração da economia.
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Apesar da retração no faturamento, os demais indicadores industriais apresentaram pouca variação em julho, sinalizando estabilidade no desempenho geral do setor.
“O destaque nesse mês fica por conta do faturamento: houve queda de 2% na comparação com junho. O quadro geral não muda muito em relação ao mês anterior, até porque a maior parte dos indicadores teve uma variação muito pequena”, afirmou, em nota, Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Entre os principais indicadores, o emprego cresceu 0,2% em julho, mas acumula queda de 0,6% no ano.
A massa salarial também avançou 0,2% no mês e acumula alta de 0,6% em 2026.
Já o rendimento médio ficou estável em julho e registra crescimento de 1,2% no acumulado do ano.
O percentual de horas trabalhadas na produção aumentou 0,2% em julho, na comparação com junho.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,3% para 77,4%, alta de 0,1 ponto percentual.
No acumulado de janeiro a julho, porém, os indicadores seguem em terreno negativo.
As horas trabalhadas registram queda de 1% em relação aos sete primeiros meses de 2025.
A utilização da capacidade instalada recua 0,8 ponto percentual no período, enquanto o faturamento acumula baixa de 0,5%.
Para a CNI, os dados reforçam o quadro de desaquecimento da atividade industrial observado ao longo do ano.
A leitura da entidade é que a indústria ainda sente os efeitos de um ambiente econômico menos favorável, com crédito mais caro e consumo mais limitado.
O comportamento dos indicadores mostra que, embora emprego, salários e produção tenham apresentado estabilidade no mês, o faturamento segue mais pressionado.
Segundo Marcelo Azevedo, a combinação entre juros elevados e maior endividamento das famílias tem reduzido a demanda por produtos industriais.
“A elevação da taxa de juros e o endividamento das famílias vêm diminuindo a demanda por bens industriais de uma forma geral”, afirmou o gerente da CNI.
De acordo com Azevedo, esse movimento aparece na redução das horas trabalhadas, do faturamento e da utilização da capacidade instalada, com reflexos também sobre o emprego.
Ele destacou ainda que a comparação anual ocorre com um período em que a indústria apresentava demanda mais aquecida.
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