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Empresas: Agosto Lilás deve entrar na gestão empresarial Especialista defende que ações de proteção à mulher deixem de ser apenas campanhas pontuais e passem a integrar estratégias permanentes nas organizações

Empresas: Agosto Lilás deve entrar na gestão empresarial

Agosto Lilás reforça a importância de empresas adotarem políticas permanentes de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres | Foto: divulgação

24 de agosto de 2026 – O Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, reforça a importância da prevenção, do acolhimento e da ampliação da rede de proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade ou violência.

Apesar da mobilização anual, especialistas alertam que o tema ainda enfrenta dificuldades para se transformar em processos contínuos dentro das empresas.

A proposta é que iniciativas de combate à violência de gênero avancem para além de palestras, campanhas internas e ações pontuais de comunicação.

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Violência em alta

Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os casos de feminicídio seguem em crescimento no país.

Em 2025, foram registradas 1.517 vítimas, alta de 4% em relação ao ano anterior.

O levantamento também mostra que, para cada feminicídio registrado, houve, em média, 502 registros de ameaça, 182 registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 registros de descumprimento de medida protetiva de urgência e 79 registros de perseguição.

Os dados evidenciam que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ações permanentes e articuladas entre poder público, sociedade civil e instituições privadas.

Papel das empresas

Nesse contexto, cresce a discussão sobre o papel das empresas na construção de ambientes mais seguros e no desenvolvimento de políticas de prevenção, acolhimento e combate à violência contra a mulher.

Para Pauline Lopes, head de projetos da GT7, unidade de negócio do Grupo Cartão de TODOS, a diferença entre uma campanha de conscientização e um projeto estruturado está na capacidade de gerar transformação ao longo do tempo.

Segundo ela, iniciativas permanentes precisam ser acompanhadas por grupos focais, trocas recorrentes e indicadores de acompanhamento.

“Campanhas, palestras, ações educativas e canais de escuta têm um papel importante para gerar conscientização. Eles são o primeiro sinal de alerta e ajudam a disseminar um contexto de precaução e prevenção. Porém, sozinhos, não promovem mudanças sustentáveis. Um projeto estruturado exige planejamento, protocolos de acolhimento, investigação imparcial das denúncias e mecanismos que garantam que comportamentos inadequados sejam efetivamente enfrentados. Assim, as iniciativas deixam de ser temporárias e passam a representar um compromisso permanente com um ambiente seguro e respeitoso. Mais do que se engajar em qualquer causa, uma empresa ou organização precisa cumprir o papel de educar, criar contexto, formar cultura e acompanhar as iniciativas que vão sustentar seus discursos”, afirma Pauline Lopes.

Do discurso à estratégia

Segundo a especialista, um dos principais desafios das organizações é fazer com que temas ligados à diversidade, inclusão e proteção das mulheres deixem de depender apenas do engajamento individual de gestores ou colaboradores.

A pauta precisa integrar a estratégia do negócio.

Nesse processo, a gestão de projetos tem papel fundamental ao estruturar objetivos claros, cronogramas, responsabilidades, governança e indicadores capazes de medir a efetividade das ações.

Não basta disseminar mensagens. É necessário garantir ações afirmativas, preferencialmente acompanhadas por um comitê de responsáveis e por demonstrações claras de implementação.

Compromisso permanente

Embora o Agosto Lilás concentre a mobilização nacional sobre o tema, Pauline ressalta que o verdadeiro desafio começa quando o calendário de campanhas termina.

“A maior dificuldade não é iniciar um projeto, mas transformá-lo em prioridade organizacional. Muitas situações de violência ou discriminação acontecem de forma velada. Dentro de empresas, isso também ocorre quando mulheres têm suas ideias desconsideradas, são ignoradas ou julgadas por preconceito, antipatia ou até rivalidade. Por isso, é importante manter na organização um compromisso permanente com a vigilância para o combate de qualquer discriminação estruturada ou violência, moral, física ou psicológica, contra a mulher. Acreditamos que o sucesso desses projetos só existe graças ao comprometimento de nossas lideranças, gestores e de uma governança permanente que sempre assegure ações efetivas diante de possíveis comportamentos inadequados”, explica Pauline Lopes.

Liderança e cultura

Na avaliação da gestora, iniciativas relacionadas à proteção das mulheres não podem ser responsabilidade exclusiva de áreas como Recursos Humanos.

Para Pauline, lideranças atentas e comprometidas com a pauta são fundamentais para definir prioridades, influenciar a cultura organizacional e demonstrar, por meio de atitudes concretas, quais comportamentos são aceitáveis ou não.

Quando isso acontece, o projeto deixa de ser uma ação isolada e passa a ser um compromisso de toda a instituição.

Impacto no desempenho

Além de ser uma questão de responsabilidade social, o tema também está relacionado ao desempenho das organizações.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que ambientes livres de violência e assédio contribuem para aumento da produtividade, redução do absenteísmo e da rotatividade, fortalecimento da reputação corporativa e maior satisfação de colaboradores e clientes.

Por outro lado, organizações que negligenciam esses fatores ficam mais expostas à perda de talentos, queda no engajamento das equipes, aumento de afastamentos, conflitos internos e custos decorrentes da baixa produtividade e de investigações relacionadas a episódios de violência e assédio.

Violência no trabalho

A OIT estima que mais de uma em cada cinco pessoas no mundo já sofreu algum tipo de violência ou assédio no ambiente de trabalho, seja de natureza física, psicológica ou sexual.

O dado mostra que o problema não está restrito à esfera privada e também faz parte das relações profissionais.

Por isso, projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher precisam ser acompanhados por indicadores capazes de demonstrar sua efetividade.

Indicadores de acompanhamento

Para Pauline Lopes, os principais parâmetros a serem analisados incluem o grau de confiança das colaboradoras nos canais de acolhimento, o tempo de resposta e resolução das ocorrências registradas e a percepção de que mulheres possuem espaço para participar das decisões e apresentar ideias.

Também é importante acompanhar a redução de relatos relacionados a comportamentos discriminatórios ou violentos.

Esses indicadores permitem que a empresa vá além do cumprimento de agendas simbólicas e avalie se as iniciativas realmente contribuem para fortalecer um ambiente de trabalho mais seguro, inclusivo e respeitoso.

Reflexos da violência doméstica

No caso da violência doméstica, os reflexos também chegam às empresas.

Estudos internacionais mostram que colaboradoras vítimas de violência apresentam maior propensão ao absenteísmo, atrasos, dificuldades de concentração e redução do desempenho.

Esse cenário gera impactos financeiros e operacionais para as organizações.

Mecanismos de escuta, relacionamento e proteção ao colaborador, quando implantados, podem trazer resultados positivos para a mulher e também para a empresa.

Campanhas como ponto de partida

Diante desse cenário, Pauline defende que as empresas tratem campanhas sazonais de enfrentamento à violência contra a mulher como momentos de alerta.

Essas datas devem funcionar como pontos de reflexão para a implantação ou revisão de uma estratégia corporativa permanente, com continuidade e impacto.

“Para implantar projetos com esse alcance, o primeiro passo é compreender as reais necessidades e dores das mulheres da empresa. A partir desse entendimento, é possível estruturar um programa com objetivos claros, responsáveis definidos, indicadores de desempenho, orçamento e uma governança que assegure o acompanhamento contínuo das ações. É sempre importante tratar esse tema como uma pauta estratégica, que abraça campanhas pontuais, mas também que mantém mecanismos perenes. Como em qualquer projeto corporativo de qualquer ordem, a proteção da mulher demanda esforços permanentes, constância, acompanhamento e análises”, conclui Pauline Lopes.

Sobre a GT7

A GT7 é uma unidade de negócios do Grupo TODOS Internacional, focada em estratégias de marketing para potencializar o crescimento acelerado e sustentável dos negócios do ecossistema TODOS.

A empresa tem como um de seus pilares estratégicos o cuidado com as pessoas, promovendo políticas de inclusão, bem-estar e desenvolvimento humano que estimulam a construção de um ambiente de trabalho saudável e equilibrado.

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Tags: Agosto Lilás, violência contra a mulher, proteção à mulher, empresas, ambiente corporativo, gestão de projetos, GT7, Grupo Cartão de TODOS, Pauline Lopes, feminicídio, Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Organização Internacional do Trabalho, OIT, assédio no trabalho, violência de gênero, acolhimento, prevenção, canais de escuta, diversidade, inclusão, governança corporativa, recursos humanos, cultura organizacional, liderança, saúde mental, Portal Terra Da Luz

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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