

A empresa, que tem dívidas superiores a US$ 10 bilhões, busca reestruturar seus compromissos após queda nos preços da petroquímica e impactos do desastre das minas de sal em Alagoas. | Foto: divulgação
24 de agosto de 2026 – A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (24), em meio às negociações para reestruturar as dívidas da companhia. A informação foi confirmada por fontes próximas às tratativas e posteriormente formalizada pela empresa em Fato Relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo o documento, as dívidas da petroquímica chegam a US$ 10,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 56,09 bilhões.
A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores um plano para reorganizar os débitos. Depois, o acordo é submetido à Justiça para homologação. Caso não consiga obter o apoio necessário dos credores, a companhia poderá recorrer à recuperação judicial.
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A empresa vinha discutindo há pouco mais de um mês alternativas para reorganizar sua estrutura de capital. Em junho, as agências de classificação de risco Fitch e S&P Global rebaixaram as notas de crédito de papéis da Braskem, citando o elevado endividamento e as dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia.
Na mesma época, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo havia aprovado um pedido de tutela cautelar apresentado anteriormente pela empresa.
A proteção contra execuções de credores tinha prazo de 60 dias e chegou ao fim nesta segunda-feira (24), sem que fosse concluído um acordo para a reestruturação das dívidas.
Segundo informações apuradas pela CNN, instituições financeiras exigiram garantias envolvendo ativos da Braskem e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões. A companhia teria recusado o novo financiamento.
Uma proposta apresentada pela controladora IG4 prevê o alongamento por cinco anos das linhas de crédito atuais e uma carência de 30 meses para o pagamento de juros.
O plano, porém, não prevê redução do valor principal das dívidas, mecanismo conhecido como haircut, nem a conversão dos débitos bancários em participação acionária.
A decisão ocorre em um momento de dificuldades para a indústria petroquímica. O setor enfrenta excesso de oferta no mercado internacional, redução das margens de lucro e demanda mais fraca.
Na Braskem, o custo dos produtos vendidos chegou a representar cerca de 96% da receita líquida, aumentando a pressão sobre os resultados e o fluxo de caixa da companhia.
Outro fator de impacto está relacionado ao passivo decorrente do afundamento do solo em bairros de Maceió, em Alagoas, associado à exploração de sal-gema.
O episódio afetou cerca de 60 mil pessoas e levou à condenação de aproximadamente 14 mil imóveis. Em junho, a Justiça Federal recebeu denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal relacionada ao caso. Na ocasião, as ações da Braskem chegaram a registrar queda de quase 15% no pregão.
A estrutura de capital da Braskem também contribuiu para elevar a pressão financeira. A taxa Selic passou de 2% em 2020 para 15% em março de 2026, aumentando o custo do serviço da dívida.
Parte significativa do passivo da companhia está denominada em moeda estrangeira, o que acrescenta exposição às oscilações do câmbio e às condições do mercado internacional.
Além disso, na semana passada, a Braskem Idesa, joint venture da companhia com operações no México, protocolou pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, por meio do mecanismo conhecido como Chapter 11.
O movimento amplia a pressão sobre o grupo em um cenário de elevado endividamento e dificuldades no mercado petroquímico.
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