
Ministro Dario Durigan afirmou que o Brasil vai analisar impactos do tarifaço dos Estados Unidos e poderá acionar a Lei de Reciprocidade Econômica | Foto: Washington Costa/MF
15 de julho de 2026 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (15) que o governo brasileiro vai avaliar de forma criteriosa os impactos da tarifa de 25% sobre produtos nacionais antes de definir a reação à medida dos Estados Unidos.
Segundo Durigan, o Palácio do Planalto analisará quais setores serão mais afetados pelo novo tarifaço e poderá acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, caso a medida norte-americana seja oficialmente confirmada.
“O que a gente tem de reciprocidade é um amplo consenso de um país. O país vai se proteger, vai se fazer ser respeitado”, disse o ministro a jornalistas.
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A fala de Dario Durigan ocorre após o governo brasileiro receber a informação de que o chefe do USTR, o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, já levou ao presidente Donald Trump a recomendação final para aplicação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
Apesar do avanço da medida, Greer teria sinalizado a possibilidade de ampliar a lista de exceções, o que poderia reduzir o impacto direto sobre parte das exportações brasileiras.
A avaliação do governo é que a resposta do Brasil dependerá da forma final da decisão norte-americana, incluindo alíquota, abrangência, produtos atingidos e eventuais isenções.
Caso a tarifa de 25% seja oficializada, a tendência é que o Itamaraty acione formalmente a Camex, a Câmara de Comércio Exterior, para abertura de um processo de análise.
O objetivo será verificar se as alíquotas aplicadas por Washington se enquadram nos critérios previstos pela Lei de Reciprocidade Econômica.
A legislação permite ao Brasil adotar medidas proporcionais diante de ações comerciais consideradas prejudiciais, discriminatórias ou injustificadas contra produtos brasileiros.
Mesmo diante da recomendação final enviada a Trump, integrantes do governo brasileiro ainda avaliam que há espaço para negociação antes da aplicação efetiva das novas tarifas.
A estratégia é manter canais abertos com autoridades norte-americanas, ao mesmo tempo em que o Brasil prepara instrumentos legais e diplomáticos para responder à medida, caso ela seja confirmada.
O governo também monitora a composição da lista de exceções, considerada decisiva para medir o alcance real do tarifaço sobre setores industriais, agropecuários e exportadores.
O Brasil chegou a iniciar processo semelhante em 2025, quando os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Na ocasião, o Itamaraty acionou mecanismos de avaliação, mas o processo foi encerrado depois que a taxa foi derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
O episódio é citado nos bastidores do governo como referência para a atuação atual, especialmente em relação à necessidade de aguardar a formalização da medida antes de definir uma resposta concreta.
A possibilidade de nova tarifa preocupa setores produtivos brasileiros que dependem do mercado norte-americano.
A medida pode afetar a competitividade de produtos nacionais, alterar contratos, pressionar cadeias industriais e gerar incertezas para empresas exportadoras.
O governo brasileiro avalia que uma lista mais ampla de exceções pode reduzir os danos, especialmente em segmentos ligados a cadeias produtivas integradas entre empresas brasileiras e companhias norte-americanas.
A reação brasileira deve combinar análise jurídica, avaliação econômica e negociação diplomática.
O Planalto busca evitar uma escalada comercial, mas também pretende demonstrar que o país utilizará os instrumentos disponíveis para defender seus interesses.
A declaração de Durigan reforça essa linha: negociar enquanto houver espaço, mas preparar uma resposta formal se a tarifa for confirmada.
O desfecho dependerá da decisão final da Casa Branca, agora nas mãos de Donald Trump.
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