
Missão robótica inédita tenta elevar a órbita do Observatório Swift, da Nasa, para evitar sua queda na Terra | Foto: ilustração retrata a espaçonave do Observatório Neil Gehrels Swift em órbita baixa da Terra
05 de julho de 2026 – Uma missão inédita tenta evitar o fim trágico de um dos observatórios espaciais mais emblemáticos da Nasa. O objetivo é resgatar o Observatório Neil Gehrels Swift, que corre risco de reentrar na atmosfera da Terra por causa da perda gradual de altitude em órbita baixa.
A operação busca elevar o observatório, de 1.452 quilos, para uma altitude mais segura. Caso seja bem-sucedida, será a primeira vez que uma missão robótica comercial captura uma espaçonave não tripulada da Nasa que não foi originalmente projetada para receber manutenção no espaço.
Sem intervenção, o Swift poderia cair abaixo de um limite orbital importante neste mês, afetado pelo arrasto atmosférico e pela recente atividade solar. O observatório estuda há quase 22 anos explosões cósmicas e outros fenômenos do universo em diferentes comprimentos de onda da luz.
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Todos os satélites e espaçonaves em órbita baixa sofrem resistência natural da atmosfera terrestre. Com o tempo, esse arrasto pode reduzir a altitude dos equipamentos, especialmente quando eles não possuem sistema próprio de propulsão.
No caso do Swift, a situação foi agravada pelo aumento da atividade solar nos últimos dois anos. O Sol atingiu o pico de seu ciclo de 11 anos em 2024, liberando erupções intensas e ejeções de massa coronal.
Esses fenômenos provocaram expansão da atmosfera terrestre, aumentando o arrasto sobre o observatório e acelerando sua perda de altitude.
A equipe de operações do Swift, na Faculdade de Ciências Eberly da Universidade Estadual da Pensilvânia, reduziu o consumo de energia e reposicionou o observatório de forma mais aerodinâmica para tentar prolongar sua permanência em órbita.
Após identificar que a missão poderia terminar antes do previsto, a Nasa abriu um edital em busca de uma solução para salvar o observatório.
“Não queríamos criar o precedente de que tudo que sai da órbita precisa ser impulsionado por um foguete, mas esta não era uma espaçonave qualquer, era um observatório com capacidades únicas para a astrofísica”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da divisão de astrofísica da Nasa.
A empresa Katalyst Space Technologies, sediada no Arizona, foi selecionada para executar a missão. O desafio foi grande: a companhia teve apenas nove meses para projetar, construir, testar e lançar uma espaçonave capaz de encontrar o Swift e elevar sua órbita.
O satélite robótico responsável pela missão se chama LINK. Ele foi lançado por um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, liberado a partir da aeronave modificada L-1011, conhecida como Stargazer.
A aeronave subiu até cerca de 12 mil metros acima do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall, no Pacífico Sul, antes de liberar o foguete. Depois do acionamento dos motores, o satélite foi colocado diretamente na órbita do Swift.
As equipes em solo estabeleceram comunicação com sucesso com o LINK após sua entrada em órbita.
Agora, a missão entra em uma fase delicada. O satélite passará por testes de navegação e sensores antes de se aproximar do observatório, fazer um levantamento de sua estrutura e identificar os melhores pontos de acoplamento.
A operação ainda envolve muitos desafios. O Swift não foi projetado para receber manutenção no espaço, e suas estruturas externas podem ter sofrido desgaste após mais de duas décadas em órbita.
A preocupação inclui o isolamento multicamadas do observatório, que pode ter se deteriorado ou se deslocado com o tempo.
“De certa forma, transformou-se numa substância muito delicada, quase como vidro. Se você o tocasse, ele simplesmente se estilhaçaria e continuaria a quebrar. Isso é muito diferente das mantas plásticas flexíveis que foram instaladas há 20 anos”, disse Kieran Wilson, investigador principal do projeto LINK na Katalyst Space, ao comparar o risco com o desgaste observado em missões de manutenção do Telescópio Espacial Hubble.
Depois de estabilizar o Swift, o LINK deverá acionar cuidadosamente seus três propulsores iônicos para elevar a órbita do observatório ao longo de dois a três meses.
A meta é levar o Swift para cerca de 600 quilômetros acima da Terra. Depois de concluir a operação, o LINK se separará do observatório e reentrará na atmosfera terrestre.
Para a Katalyst Space, a missão pode abrir caminho para uma nova forma de manutenção de espaçonaves.
“O Swift não foi projetado para receber manutenção”, disse Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space. “Ao demonstrarmos que podemos estender sua vida útil de forma rápida e econômica, estamos criando um modelo para a manutenção de espaçonaves que nunca foram projetadas para manutenção em órbita. Se quisermos construir uma presença duradoura além da Terra, precisamos da capacidade de manipular nosso ambiente no espaço. Isso significa implantar espaçonaves robóticas que possam reposicionar, reparar, reabastecer e reequipar satélites após o lançamento.”
O LINK tem cerca de um terço do tamanho do Swift, pesa 399 quilos, mede 1,5 metro de altura e conta com aproximadamente 6 metros de painéis solares. O satélite também possui três braços robóticos projetados para capturar o observatório.
Lançado em 2004, o Observatório Swift foi criado inicialmente para estudar explosões de raios gama, consideradas as explosões mais poderosas do universo.
Desde então, detectou mais de 2 mil fontes dessas emissões de alta energia, que ajudam a compreender fenômenos capazes de formar elementos pesados, como ouro e platina.
Com o tempo, o observatório ampliou sua atuação e passou a estudar diferentes objetos cósmicos em luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama.
O nome Swift foi inspirado em aves velozes, por causa da capacidade do observatório de se reposicionar rapidamente para acompanhar eventos cósmicos.
Embora telescópios como o Hubble e o James Webb tenham maior sensibilidade e capacidade de produzir imagens mais nítidas, o Swift tem uma vantagem estratégica: rapidez.
Enquanto o Hubble pode levar um ou dois dias para se reposicionar, o Swift consegue apontar para um novo alvo em questão de minutos.
Por isso, é considerado uma espécie de primeiro instrumento de resposta da Nasa no espaço, acompanhando eventos intensos como explosões cósmicas, cometas, ondas gravitacionais e buracos negros.
“O Swift é a ferramenta multifuncional da Nasa quando se trata de estudar o cosmos”, disse S. Bradley Cenko, investigador principal do Swift no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa. “Nas últimas duas décadas, o Swift tem sido fundamental nos esforços da Nasa para entender como o universo funciona, e estamos ansiosos para retomar esse trabalho após a conclusão da expansão.”
Se a missão for bem-sucedida, o Swift poderá retomar seu conjunto completo de observações científicas até o outono no Hemisfério Norte.
Atualmente, o observatório opera com capacidade limitada enquanto aguarda o resultado da operação de resgate.
Além de preservar um equipamento importante para a astrofísica, a missão pode demonstrar novas capacidades de manutenção orbital, com impacto direto em futuras explorações espaciais e na gestão de satélites em órbita baixa da Terra.
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