

Brasil atinge limite de exportação de carne bovina para a China sem tarifa adicional e setor avalia novos destinos para embarques | Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
05 de julho de 2026 – O Brasil atingiu integralmente a cota de exportação de carne bovina para a China sem cobrança de tarifa adicional. Com isso, novos embarques acima do limite estabelecido passam a depender do pagamento de uma sobretaxa pelos compradores chineses.
O cálculo é da consultoria Safras & Mercado, com base na evolução dos embarques e em dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De janeiro até 30 de junho, o Brasil já havia enviado o equivalente a 100,06% da cota autorizada para venda sem tarifa extra.
O volume corresponde ao limite de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina destinadas ao mercado chinês.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Com o esgotamento da cota, as compras chinesas de carne bovina brasileira passam a estar sujeitas a uma sobretaxa de 55% sobre o excedente.
A medida tende a reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês e pode levar frigoríficos a redirecionar parte da produção para outros destinos.
O mercado já sinalizava preocupação com o ritmo acelerado dos embarques, considerado acima do limite previsto para o ano. A possibilidade de esgotamento antecipado da cota vinha sendo acompanhada com atenção por exportadores, frigoríficos e analistas do setor.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina voltou a ser bastante positivo, especialmente por causa da demanda chinesa.
Somente em junho, foram embarcadas 158,36 mil toneladas de carne bovina para a China, em ritmo considerado acelerado.
O volume do sexto mês do ano representa 14,32% da cota total disponibilizada pelo país asiático na última virada de ano, reforçando o esgotamento oficial da cota brasileira.
A Safras & Mercado também chamou atenção para a lentidão da China na emissão dos alertas de preenchimento da cota brasileira.
“O que também chama a atenção é a lentidão da China em emitir os alertas de preenchimento da cota em relação ao Brasil, apenas o gatilho de 50% foi acionado até o momento, com vendas tão aceleradas em abril e principalmente em maio a expectativa é que o alerta do MOFCOM já deveria ter sido acionado para o alerta de 80% de preenchimento da cota”, explica o relatório da consultoria gaúcha.
De acordo com a análise, a demora pode estar relacionada a gargalos no processo de internalização do produto pelas autoridades chinesas.
A partir de agora, a atenção do mercado se volta para as exportações de julho.
Os dados do mês serão importantes para entender como os frigoríficos brasileiros devem reorganizar os embarques de carne bovina para outros parceiros comerciais, diante da limitação no mercado chinês.
Entre os possíveis destinos estão Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina.
Segundo a Safras & Mercado, Hong Kong, Uruguai e Argentina também podem indicar movimentos de triangulação comercial para alcançar indiretamente o mercado chinês.
O esgotamento da cota brasileira ocorre em um cenário de pressão sobre limites de exportação de outros fornecedores de carne bovina para a China.
A Austrália também esgotou sua cota, limitada a 250 mil toneladas.
A Argentina avança rapidamente, embora ainda abaixo do limite total de 511 mil toneladas.
O Uruguai possui cota específica de 205 mil toneladas.
Já os Estados Unidos, com cota total de 164 mil toneladas, tiveram exportações praticamente paralisadas nos primeiros meses do ano e seguem em ritmo mais contido.
Com a sobretaxa chinesa sobre o excedente, frigoríficos brasileiros devem avaliar alternativas para manter o ritmo de exportações e evitar concentração excessiva em um único mercado.
A demanda dos Estados Unidos aparece como uma possibilidade em expansão, enquanto outros países podem ganhar relevância no fluxo comercial.
A China, porém, segue como principal destino da carne bovina brasileira e continuará sendo decisiva para o desempenho do setor exportador nos próximos meses.
O comportamento dos embarques em julho deve indicar se o mercado brasileiro conseguirá compensar o limite chinês com novos destinos ou se haverá impacto mais direto sobre preços, logística e estratégias comerciais dos frigoríficos.
Leia também | Por que a IA ainda não elevou produtividade
Tags: carne bovina, exportação de carne bovina, Brasil, China, cota de carne bovina, carne brasileira, frigoríficos, Safras & Mercado, Fernando Iglesias, Secex, Secretaria de Comércio Exterior, comércio exterior, agronegócio, pecuária, proteína animal, sobretaxa, mercado chinês, exportações brasileiras, Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai, Argentina, Austrália, demanda internacional, economia, Portal Terra Da Luz