

Especialista destaca que estimular o cérebro e preservar a autonomia são medidas essenciais para um envelhecimento mais saudável e para quem cuida de familiares idosos. | Foto: divulgação
26 de junho de 2026 – O aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população têm provocado uma inversão de papéis dentro das famílias: filhos adultos passam a assumir os cuidados dos pais idosos. Diante dessa realidade, especialistas alertam que quem cuida também precisa cuidar da própria saúde, especialmente da capacidade cognitiva.
Segundo a psicopedagoga Danniela Rolim Medeiros, especializada em envelhecimento, estimular o cérebro a partir dos 45 anos pode contribuir para preservar memória, raciocínio e capacidade de tomada de decisão, preparando os adultos para os desafios físicos e emocionais do cuidado com os pais.
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A sobrecarga costuma atingir principalmente as mulheres, que ainda concentram a maior parte das responsabilidades relacionadas aos cuidados familiares.
De acordo com dados apresentados pela especialista, nove em cada dez cuidadores informais no Brasil são mulheres, na maioria filhas, com idade média de 48 anos. Elas dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que os homens às tarefas domésticas e ao cuidado de familiares.
Danniela ressalta que o autocuidado vai muito além da aparência física.
“Há uma redução natural de neurônios com o envelhecimento e, para retardar esse processo que afeta o raciocínio e a memória recente, os estímulos cognitivos por meio de desafios mentais, atividades físicas e socialização são fundamentais. Principalmente quando chega o momento de cuidar dos nossos pais”, afirma
Franqueada do Super Cérebro Longevidade, unidade Aldeota, em Fortaleza, Danniela aplica um método voltado ao estímulo cognitivo com pessoas entre 45 e mais de 90 anos.
Ela destaca que preservar a autonomia dos idosos é tão importante quanto oferecer cuidados médicos.
“As pessoas mais experientes têm muito a nos ensinar também e precisam ser ouvidas, participar de algumas decisões e ser incentivadas de que são capazes de reaprender ou mesmo aprender algo novo”, ressalta.
A especialista alerta que atitudes aparentemente protetoras podem reduzir a independência da pessoa idosa.
“Na tentativa de proteger, acabamos tirando o direito de decidir da pessoa idosa. Sem perceber, estamos falando por elas, decidindo por elas e reduzindo a sua participação na própria vida”, destaca.
Entre as atividades sugeridas para estimular a cognição estão pequenas mudanças na rotina, como escovar os dentes com a mão não dominante, alterar trajetos habituais, ler textos em posições diferentes ou realizar desafios de lógica.
Também são recomendados jogos de tabuleiro, aulas de informática, atividades em grupo e o uso do soroban, tradicional ábaco japonês utilizado para desenvolver habilidades cognitivas.
Segundo a especialista, esses estímulos favorecem funções como memória, atenção, linguagem e tomada de decisão.
Danniela cita ainda uma revisão sistemática publicada na revista científica PeerJ, intitulada Does the Combination of Exercise and Cognitive Training Improve Working Memory in Older Adults?, que aponta benefícios da associação entre exercícios físicos e treinamento cognitivo.
Segundo a publicação, essa combinação aumenta fatores relacionados à plasticidade cerebral, contribuindo para retardar o declínio cognitivo associado ao envelhecimento.
A psicopedagoga reforça que envelhecer não significa, necessariamente, adoecer.
“Muitas perdas atribuídas à idade podem estar relacionadas à falta de estímulos, ao isolamento social, à depressão ou a condições de saúde que podem ser tratadas. Por isso, é fundamental manter os idosos ativos física, social e cognitivamente”, afirma.
Ela também destaca que o cuidado emocional faz parte do envelhecimento saudável.
“Conversar, ouvir histórias, estimular a memória, promover encontros familiares, incentivar atividades prazerosas e oferecer oportunidades de aprendizado são formas de cuidado tão importantes quanto qualquer tratamento médico”, conclui.
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