

Profissional de saúde aplica vacina contra a poliomielite em criança durante campanha de imunização no SUS. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
23 de junho de 2026 – O Sistema Único de Saúde (SUS) voltará a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a poliomielite em crianças. A mudança entra em vigor a partir de 3 de agosto e restabelece o esquema vacinal adotado até 2024, agora utilizando exclusivamente a vacina injetável com vírus inativado.
Com a atualização, as crianças receberão três doses da vacina aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de dois reforços, um aos 15 meses e outro aos 4 anos. O objetivo é manter elevados os níveis de proteção contra a doença, conhecida popularmente como paralisia infantil.
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O calendário vacinal passará a seguir o seguinte modelo:
Em todas as etapas será utilizada a vacina inativada injetável.
Até 2024, os reforços eram realizados com a vacina oral, conhecida como “gotinha”, produzida com vírus atenuado. Entretanto, o Ministério da Saúde optou por adotar apenas a versão injetável após identificar que, em situações extremamente raras, o vírus enfraquecido da vacina oral poderia sofrer mutações e provocar a doença.
A decisão foi tomada após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e formalizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) por meio de nota técnica divulgada na última semana.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, destacou que os reforços são fundamentais para manter a eficácia da proteção ao longo dos anos.
“A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde”, afirmou Isabela Ballalai.
Segundo a especialista, crianças menores de 5 anos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença, razão pela qual a vacinação nessa faixa etária é considerada essencial. Em situações de surto, adultos também podem ser imunizados.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos. Em 1994, o país recebeu o certificado internacional de área livre da circulação do vírus.
Apesar disso, a doença ainda não foi erradicada completamente em algumas regiões do mundo, o que mantém a necessidade de altas coberturas vacinais para evitar o retorno da enfermidade.
Entre 1968 e 1989, o Brasil registrou mais de 26 mil casos de poliomielite. Embora frequentemente provoque sintomas leves, o vírus pode atingir o sistema nervoso central, causando paralisia permanente e até morte.
O Ministério da Saúde orienta que pais e responsáveis levem ao posto de saúde todas as crianças menores de 5 anos que ainda não tenham recebido as cinco doses previstas no calendário vacinal. A avaliação permitirá verificar a necessidade de atualização da imunização.
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