

Associação Caatinga avança na criação e ampliação de unidades de conservação no Ceará, reforçando a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos | Foto: divulgação
22 de junho de 2026 – A Associação Caatinga iniciou uma nova etapa de fortalecimento da conservação ambiental no Ceará, com ações voltadas à criação de duas novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e à ampliação de outras quatro unidades de conservação já existentes.
Os trabalhos ocorrem nos municípios de Crateús, Crato, Santana do Cariri e Araripe, considerados estratégicos para a proteção da biodiversidade da Caatinga e dos recursos hídricos do estado.
Segundo Samuel Portela, coordenador de Conservação da Biodiversidade da Associação Caatinga, as iniciativas reforçam a importância de ampliar os territórios protegidos em regiões ambientalmente relevantes.
“As áreas contempladas possuem grande importância para a conservação da biodiversidade cearense, dos recursos hídricos e de espécies nativas da Caatinga. Cada nova reserva criada ou ampliada representa um avanço concreto na proteção do patrimônio natural do estado”, destaca Samuel.
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As etapas técnicas, os levantamentos de campo e o georreferenciamento para a criação de duas novas RPPNs já foram concluídos. Os processos foram protocolados junto à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA) e aguardam análise para oficialização.
Em Santana do Cariri, a futura RPPN Melina Garcia contará com 13,68 hectares destinados integralmente à conservação ambiental.
Já no município de Araripe, a RPPN Chapada da Torre terá 21,02 hectares protegidos.
Além da criação das novas reservas, quatro unidades de conservação passarão por processos de ampliação.
Em Crateús, a RPPN Serra das Almas está em fase final de regularização de uma expansão territorial que elevou sua área de 5.845 para 6.285 hectares, após a unificação de propriedades realizada em 2018. Os levantamentos de campo e estudos topográficos já foram concluídos, e a documentação será encaminhada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para oficializar os 440 hectares incorporados.
Também em Crateús, a RPPN Neném Barros concluiu os estudos necessários para sua expansão. A expectativa é que a área atual, de 63,16 hectares, praticamente dobre após a aprovação do processo pelo ICMBio.
No Cariri, a RPPN Oásis Araripe, localizada no Crato e gerida pela ONG Aquasis, ampliará sua área de 50 para 56 hectares.
A expansão inclui uma área de ocorrência do guajá-do-araripe, caranguejo endêmico da região, além de reforçar a proteção do soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), uma das aves mais raras do mundo e encontrada exclusivamente no Ceará.
Já a RPPN Buritis Águas Naturais, em Santana do Cariri, passará de 10 para 27,71 hectares. A área está em fase de organização documental para posterior georreferenciamento e protocolo junto à SEMA.
As atividades integram o projeto “RPPN: Conservação Voluntária Gerando Serviços Ambientais”, realizado pela Associação Caatinga e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
A iniciativa ocorre no âmbito do projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O projeto tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como agência executora.
Ao longo de sua trajetória, a Associação Caatinga já apoiou a criação e a gestão de 39 reservas particulares e 12 unidades de conservação públicas.
Juntas, essas áreas somam mais de 203 mil hectares protegidos, extensão equivalente a mais de seis vezes o território de Fortaleza.
A expectativa é que, com a conclusão da quarta fase do projeto, novos territórios sejam incorporados ao mapa da conservação no Ceará, ampliando a proteção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos da Caatinga.
“As RPPNs representam um compromisso voluntário e permanente com a conservação. Quando um proprietário decide criar ou ampliar uma reserva, ele escolhe proteger aquele patrimônio natural para as futuras gerações, transformando a área em um verdadeiro santuário ecológico”, conclui Samuel Portela.
A Associação Caatinga é uma organização da sociedade civil fundada em 1998, que atua na conservação do bioma Caatinga e na promoção do desenvolvimento sustentável no semiárido.
A instituição desenvolve ações em comunicação, educação ambiental, pesquisa científica, políticas públicas, restauração florestal, criação e gestão de áreas protegidas e difusão de tecnologias sociais voltadas à convivência com a semiaridez.
Entre suas iniciativas está a gestão da Reserva Natural Serra das Almas, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural localizada entre Crateús, no Ceará, e Buriti dos Montes, no Piauí.
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