

Especialistas alertam que casais devem conversar sobre dinheiro e transformar a aposentadoria em um projeto financeiro compartilhado | Foto: reprodução
21 de junho de 2026 – Casais costumam planejar o casamento, a compra da casa, a educação dos filhos e até as próximas viagens. Mas, quando o assunto é aposentadoria, o diálogo ainda é deixado em segundo plano em muitas famílias brasileiras.
Embora o dinheiro esteja entre os principais fatores de conflito nos relacionamentos, o planejamento financeiro de longo prazo ainda é pouco discutido. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, 66% dos casais brasileiros não conversam sobre dinheiro, enquanto 21% só abordam o tema quando enfrentam dificuldades financeiras.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando se trata da aposentadoria. Pesquisa da Serasa e da Opinion Box mostra que 60% dos brasileiros começam a se planejar para essa fase apenas cinco anos antes de deixar o mercado de trabalho.
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Para Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado securitário, a falta de diálogo sobre o futuro financeiro pode comprometer não apenas a qualidade de vida na aposentadoria, mas também os projetos construídos ao longo da vida a dois.
“Os casais costumam conversar sobre a compra da casa, a educação dos filhos e as próximas viagens, mas raramente discutem como vão financiar os 20 ou 30 anos que poderão viver juntos após o fim do ciclo profissional. A aposentadoria, na maioria das vezes, ainda é tratada como um projeto individual, quando ela impacta toda a dinâmica familiar”, afirma Marcos.
Com o aumento da longevidade, a fase pós-carreira pode durar décadas. Para o especialista, essa realidade exige uma mudança de mentalidade na forma como os casais constroem patrimônio, organizam as finanças e pensam o futuro.
“Planejar a aposentadoria hoje significa garantir condições para manter um estilo de vida ativo, saudável e financeiramente sustentável por muitos anos. As pessoas vivem mais, continuam consumindo, desenvolvem novos interesses, viajam, investem em bem-estar e precisam considerar tudo isso no planejamento”, diz Marcos.
De acordo com o especialista contábil Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade, muitos casais concentram o planejamento financeiro apenas na formação de patrimônio, mas deixam de analisar a previdência.
“Muitos casais concentram o planejamento financeiro na formação de patrimônio, mas não analisam a previdência. Após a Reforma da Previdência, a aposentadoria passou a considerar 100% da média dos salários de contribuição, sem o descarte das menores contribuições, o que pode reduzir o valor do benefício para quem possui períodos de baixa remuneração ou recolhimentos irregulares. Fazer simulações periódicas e acompanhar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é uma medida para evitar distorções na renda projetada para a aposentadoria”, orienta.
Segundo Barros, acompanhar o histórico previdenciário com antecedência permite identificar lacunas de contribuição, corrigir informações e avaliar melhor o benefício esperado no futuro.
Entre os erros mais comuns observados pelos especialistas estão a ausência de objetivos financeiros compartilhados, a concentração do planejamento em apenas um dos parceiros e a falta de visão de longo prazo.
Também costumam ser ignorados fatores como inflação, custos com saúde, aumento da expectativa de vida e diferença entre a renda da fase ativa e o valor do benefício previdenciário.
Segundo Marcos Ferreira, a construção de patrimônio em casal deve começar muito antes da aposentadoria e envolver conversas periódicas sobre renda, investimentos e expectativas para o futuro.
“Não existe planejamento eficiente sem alinhamento. O casal precisa discutir qual padrão de vida deseja manter, quais sonhos pretende realizar e qual patrimônio e, por consequência, quais rendas serão necessários para sustentar esse projeto. Quanto mais cedo essa conversa acontece, maior a capacidade de adaptação e menores os riscos de surpresas no futuro”, analisa Marcos.
Gabriel Barros reforça que um erro recorrente é projetar a aposentadoria com base apenas na renda atual, sem considerar variáveis que podem alterar a capacidade financeira do casal no futuro.
“Um erro recorrente é projetar a aposentadoria com base na renda atual sem considerar fatores como inflação, expectativa de sobrevida e taxa de reposição previdenciária. O benefício pago pelo INSS raramente substitui integralmente a remuneração da fase ativa, especialmente para profissionais de renda mais elevada. Muitas famílias analisam tempo de contribuição, regras de transição e projeções de benefício apenas quando pensam em se aposentar, mas, quanto mais cedo esse diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de correção de lacunas contributivas e de organização patrimonial para garantir segurança financeira com o parceiro”, finaliza Barros.
Marcos Eduardo Ferreira é especialista em longevidade e mercado securitário, empreendedor e investidor anjo, com mais de 30 anos de experiência na MAPFRE, onde atuou como CEO no Brasil e na América do Sul. Atualmente, assessora empreendedores e executivos em transição para o pós-carreira, promove a economia prateada e é advisor da 180 Seguros. É cofundador do canal Homens de Prata e da Silver Hub, aceleradora voltada a produtos e serviços para o público 50+. Economista e contador, tem formação executiva pela IESE e pela FGV.
Gabriel Barros é diretor da SF Barros Contabilidade e bacharel em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Com experiência na área contábil, atua em diversos setores empresariais, oferecendo soluções personalizadas. Também é pós-graduado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios.
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